Myla Meneses: ’13 Maio Não é Dia de Preto’

Myla Meneses (*) –
O primeiro ponto a ser mencionado é que a Abolição do Trabalho Escravo, Brasil em 1888, não foi resultado da bondade da princesa Isabel, mas sim, resultado da luta do Movimento Abolicionista, dos escravos e de uma parcela da sociedade brasileira durante a década de 1880.
As condições de vida destes sempre, foram muito ruins e os salários baixos garantiam aos ex-escravos uma posição subalterna e marginalizada na sociedade. O mesmo aconteceu nas grandes cidades, uma vez que esses libertos, sem oportunidades e sem estudo, eram sujeitos a empregos ruins e mal remunerados.
O governo brasileiro, seja o então Império, seja a República proclamada no ano seguinte, não realizou projetos de inserção dos ex-escravos na sociedade, tampouco indenizou-os após gerações permanecerem escravizadas por mais de 300 anos.
As mazelas desse período apresentam reflexos em desigualdades sociais que ocorrem até os dias de hoje, outro dos motivos pelos quais o movimento negro não celebra a data. O processo também é chamado de “abolição não concluída”.
Uma realidade que não se modificou ao longo dos séculos no Brasil. Como sabemos, o Racismo Estrutural é muito marcante e motivo de luta constante do movimento Negro.
Por isso, hoje não é um dia de comemoração e sim de reflexão social no Brasil todo, em razão do tratamento dispensado aos que se tornaram ex-escravos no país.
ERAM ALGUNS DOS PRINCIPAIS ABOLICIONISTAS?
Luiz Gama
Ex-escravo, virou advogado e ativista. Entrou com processos para conseguir a libertação de escravos na Justiça. A estimativa é que ele tenha conseguido libertar centenas de pessoas.
Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar
Participou do movimento abolicionista no Ceará. Ele liderou uma greve entre os jangadeiros que levavam os negros escravizados para navios que os transportavam a outras províncias.
André Rebouças
Engenheiro, nascido em uma família negra livre. Participou ativamente das manifestações pelo fim da escravidão e se tornou um dos principais nomes do movimento abolicionista. Ele defendia o fim da escravidão e a integração das pessoas negras libertadas à sociedade.
Maria Firmina dos Reis
Negra, nasceu livre no Maranhão e se tornou professora. Publicou no fim da década de 1850 o romance “Úrsula”, que tratava de questões ligadas à abolição. Ela também escreveu textos contrários à escravidão na imprensa do Nordeste.
(*) Mestrado em História pela UFGD, especialista em EAD pela UCDB, e licenciatura em História. Pesquisas e publicações, principalmente, nos seguintes temas: Educação étnico-racial, Feminismo Negro, Identidade e Memória. Professora do Ensino Básico, premiada em 2018, com Projeto de Pedogógico “A África que a gente não conhece” (nível estadual) “Prêmio Respeito dá o Tom” promovido pela empresa Águas Guariroba.



