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Mestre Ricardo Duailibi: ‘Enquanto presidente da FESMAX, priorizo o xadrez educacional’

Mestre Ricardo Duailibi: 'Enquanto presidente da FESMAX, priorizo o xadrez educacional'
Mestre Nacional de Xadrez Ricardo Miguel Duailibi

Por Tácito Loureiro, especial para a Folha de Dourados –

Nesta entrevista, apresenta-se um pouco do xadrez sul-mato-grossente. O atual Presidente da Federação Sul-Mato-Grossense de Xadrez comenta a trajetória que o levou a ser o dirigente da entidade e os desafios à comunidade enxadrística expandir socialmente o jogo de xadrez.

Tácito Loureiro – Onde e quando você nasceu? Por que os teus pais lhe deram este nome: Ricardo Miguel Duailibi?

Ricardo Miguel Duailibi – Eu sou natural de Campo Grande – MS. Morei em outras cidades pelo Brasil, como: Rio de Janeiro, Belo Horizonte e a cidade serrana de Petrópolis – RJ. O meu nome vem do meu pai, Ricardo. O sobrenome “Miguel” é herdado do meu avô (tradição libanesa cristã que fugiram de perseguições Otomanas e acabaram aqui em terras tupiniquins). O meu avô chegou do Líbano e, após trabalhar no porto de Santos, veio com uns primos para os “sertões”, mais precisamente à cidade de Nioaque, onde estabeleceu comércio. Chegou a prosperar economicamente depois de longos anos de trabalho no trato da terra na criação de gado. Imagino que o Brasil tenha sido um verdadeiro paraíso àqueles imigrantes dada a fartura de terras e fecundidade natural do solo.

Tácito Loureiro – Qual foi o primeiro contato com o jogo de xadrez?

Ricardo Miguel Duailibi – Certa vez, o meu pai me levou à Agência Central de Correios e saiu de lá com uma encomenda embrulhada em um rústico papel guachê… a embalagem era forma achatada e retangular. Ao chegar em casa, abri o pacote e deparei-me com um lindo jogo de xadrez: peça envernizadas, bem esculpidas e um lindo tabuleiro dobrável que fez os meus olhos de menino com 4 anos de idade brilharem. Inicialmente, à decepção do meu pai, consegui apenas brincar com as pesças aleatoriamente. O pequeno prodígio, igual o cubano José Raul Capablanca, um “Mozart do xadrez”, é realmente raridade cuja existência improvável se repete poucas vezes no decorrer dos séculos. Passei a infância entre desafios enxadrísticos com meus irmãos, e, diga-se de passagem: os desafios que frequentemente acabava em vias de fato. Perder não era uma palavra fácil. Lembro-me como se fosse ontem: após algumas vitórias, e muito sarro, veio à minha direção um tabuleiro de mogno e escapei graças ao meu rápido reflexo juvenil.  Percebi que o xadrez, nobre “Jogo dos Reis”, poderia fazer emergir instintos não tão nobres assim… Apesar disso, brincadeiras e recordações, fiz bons amigos neste percurso. Esse esporte da mente me tornou consideravelmente menos preguiçoso. Principalmente, para pensar e refletir sobre as atitudes e a causalidade entre as minhas ações e os respectivos resultados. Nós, enxadristas, geralmente estamos a um passo além dos demais: somos obrigados a nos ateciparmos aos problemas e traçarmos a resposta precisa à eventualidade.

Tácito Loureiro – Quais jogadores e livros lhe influenciaram?

Ricardo Miguel Duailibi – A coleção que li, fundamental ao enxadrista, é “Xadrez vitorioso”, do autor sírio Yasser Seirawan, várias vezes campeão nacional nos Estados Unidos da América. Outro livro marcante: “Minhas melhores partidas de xadrez”, de Bobby Fischer, verdadeira maravilha da literatura enxadristica.

Tácito Loureiro – Quais foram as tuas maiores conquistas enxadrísticas?

Ricardo Miguel Duailibi – Ganhei vários torneios de xadrez em nível regional. Ainda, tenho grandes resultados nacionais também. Hoje, considero-me enxadrista amador: não me dedico profissionalmente e exclusivamente ao xadrez. No Mato Grosso do Sul, obtive o título de Mestre Nacional de Xadrez, por um 2.º lugar na minha categoria no Tradicional Aberto Contaud (2022), em Cuiabá – MT. Conquistei o 6.º lugar no Torneio Brasileiro de Xadrez Rápido (1996) e 10.º lugar na modalidade de xadrez blitz, em Belo Horizonte-MG. Ainda, venci diversos torneios sul-mato-grossenses: fui Campeão Estadual Jovem, Campeão do Circuito Estadual por 2 ou 3 vezes, campeão do Torneio Zonais da FIDE. Atualmente, sou o Campeão Estadual over 50. É importante registrar: consegui trazer ao Mato Grosso do Sul vários Grandes Mestres Internacionais de Xadrez: Anatoly Karpov, Henrique Mecking, Jaime Sunye Neto, Valery Salov.

Tácito Loureiro – Você foi o dono de uma franquia chamada Espaço X? Durante qual período? O que realizou nessa entidade?

Ricardo Miguel Duailibi – Fui o proprietário da Academia Espaço X, em Campo Grande, na década de 1990. Hoje, sou proprietário da Chess and Kids, entidade voltada a aulas de xadrez e robótica educacional para o desenvolvimento da intelectualidade, pensamento lógico e matemático das crianças e jovens. A instituição atende cerca de 4.000 (quatro mil) crianças em dezenas de escolas que adquiriram e utilizam a minha metodologia.

Tácito Loureiro – Atualmente, é o Presidente da Federação Sul-Mato-Grossense de Xadrez (FESMAX)? Qual a finalidade dessa entidade?

Ricardo Miguel Duailibi – Eu sou o atual Presidente da FESMAX, reeleito. Obtive a avaliação mais de 90% de “ótimo”. A finalidade da FESMAX, organizção não governamental, é servir para fomentar e gestionar tecnicamente o jogo de xadrez no Mato Grosso do Sul. Estou satisfeito por fazer um trabalho que me deixa feliz, e que ajuda o desenvolvimento mental e cognitivo de jovens, cria vinculos sociais de amizade a agrupamento entre os praticantes, combate solidão. A prática reiterada do xadrez prenine doença com o Alzheimer, e torna as pessoas mais felizes. O xadrez é um dos esportes que mais cresce atualmente, e pode ser praticado por qualquer idade, gênero, etnia.

Tácito Loureiro – O que você tem realizado como Presidente da FESMAX?

Ricardo Miguel Duailibi – Enquanto Presidente da FESMAX, priorizo o xadrez educacional, com o evento Circuito Estadual Escolar. Trata-se de um sucesso de público, realizado em 4 etapas. Além disso, tenho promovido o xadrez de rendimento, com o GRAND TOUR MS DE XADREZ: circuito aberto a todo público (está indo à quinta edição). A minha equipe é participativa e engajada. Neste ano, pretendemos expandir o xadrez para o interior sul-mato-grossense.    O xadrez está em plena expansão em escolas públicas e particulares de todo Brasil. A Academia de Xadrez Chess and Kids ministra aulas e torneios, além de de fazer aulas on-line com professores (por videoconferência).

Tácito Loureiro – Onde quem se interessa pelo jogo de xadrez pode encontrar os enxadristas sul-mato-grossenses?

Ricardo Miguel Duailibi – Buscar a FESMAX nas redes sociais e também no endereço virtual: https://www.fesmax.org/

Os interessados podem nos procurar ainda pelo e-mail: [email protected]

Tácito Loureiro – Algo mais que queria registar e dizer nesta entrevista?

Ricardo Miguel Duailibi – O xadrez pode contribuir possitivamente com o desenvolvimento do praticante. Não apenas para desenvolver um determinado aspecto da personalidade, mas, muitas vezes, resgata de vícios e da própria ociosidade. O esporte xadrez serve como ferramenta importante na edificação da sociedade. Na construção de valores meritocráticos, baseados em esforço e empenho individuais: ser cada vez melhor e alcançar a excelência em algo. A busca da vitória com retidão e disciplina nos torna melhores enquanto seres humanos. Certamente, mais felizes com as nossas conquistas e os nossos valores. Muito obrigado!

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