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‘Enfoques literários’, por Abrão Razuk

‘Enfoques literários’, por Abrão Razuk
Abrão Razuk

Abrão Razuk – advogado e ex-juiz de Direito e Eleitoral do TRE/MS por 4 mandatos –

Segundo Edward Gibson em célebre livro ” os cristãos e a queda de Roma” f. 84 assevera: “durante a época de Cristo, de seus apóstolos e dos primeiros discípulos destes, inúmeros prodígios confirmaram a doutrina que eles pregavam. Os aleijados caminharam, os cegos viram, os enfermos foram curados, os mortos ressuscitados, os demônios expulsos e as leis da natureza, frequentemente suspensas em benefício da igreja”.

De outro lado, o escritor Samuel Johnson (1709- 1784) e viveu 75 anos em seu livro” a história de Rasselas, Príncipe da Abissínia” asseverou:

“Sem que Johnson negasse o valor do progresso técnico era, por exemplo, muito interessado em pesquisas médicas e acreditava que a medicina poderia e aliviaria muitos sofrimentos”.

E Theodore Daleymple em seu prefácio do livro já citado, Johnson publicou o seu grande dicionário da língua inglesa, com 100 mil citações de livros em inglês para estabelecer os usos das palavras, e escrito os mais de 300 ensaios semanais em the idler e em the rambler, que contém um inexorável fundo de reflexão sobre a psicologia e a condição humana.

Assim como seu grande poema: “A vaidade dos desejos humanos”, mas Johnson é um cristão firme.

De outro viés, o professor Alfredo Buzaid em seu livro “ensaios literários e históricos”  em páginas luminosas de 31 páginas revela a importância da Escola de Direito de Beirute, capital do Líbano, e  o valor para o mundo jurídico, a majestade do direito romano que é a base no direito privado brasileiro e de todos países que adotam a língua neolatina como o português, italiano etc. faz uma pesquisa profunda dos grandes juristas estrangeiros, como Krueger, Collnet, Bonfante, Correia, Sciascia, Glasson, Bremer, Sohm, Matos peixoto, Bouchier, Mommsen, Girard, Sócrates,  Cassiodoro, Migne, Sozômeno.

Xenofonte era um senador muito virtuoso e rico de Constantinopla enviou seus filhos, João e Arcádio à Beirute para estudarem direito, “cidade que então “florescia pelo renome de professores muitos hábeis nas leis citando Migne.

Dessa forma e fruto dessa valorosa pesquisa e só o mestre Alfredo Buzaid poderia sintetizar a obra e legado do direito romano para o mundo.

Citam-se Papiniano, cuja opinião tinha força de lei, Ulpiano, Paulo, Modestino e Gaio. Graças “a lei das citações” e a lição dos grandes jurisconsultos do século III foi possível o imperador Justiniano elaborar o célebre “corpus juris civilis” que é a base de todo arcabouço jurídico romanístico, inclusive da Argentina, Paraguai, Brasil, haja vista que o código civil argentino teve grande influência do jurista brasileiro Teixeira de Freitas.

Assim enfoca o mestre em sua obra: “Na feitura desse monumento jurídico, verdadeiramente grandioso, que reúne as instituições, o digesto e o código sob o título de corpus juris civilis, a Escola de Beirute teve uma participação ativa e apreciável pela pena de seus mestres Doreteu, Isidoro e Anatólio. O imperador Justiniano, sagrado à admiração dos povos pela maravilhosa obra legislativa que legou à posteridade, testemunhou sua gratidão aos professores de Beirute, capital do Líbano, mencionando-os expressa e dignamente em vários prefácios”.

Mutatis Mutandis, Papiniano e Ulpiano eram fenícios, sendo o primeiro nascido em homs, na Síria, e o segundo em Tiro.

Reproduzo os dizeres dos mestres enfocados e o mérito é deles.

Campo Grande,MS, 17 de Setembro de 2021.


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