As coisas bonitas um dia se acabam
Eloá Marques, 8 anos de idade, é Miss Brasil Mirim 2020

Elairton Gehlen – escritor –
Existem muitas coisas bonitas nessa vida, quem dera durassem para sempre. Quando uma criança nasce não há quem não diga que ela é a coisa mais linda do mundo; A cara do pai! Ou da mãe! Se for a cara do tio ou do vizinho ninguém vai dizer mesmo porque na verdade quando a criança acaba de nascer não é nem ‘tão bonitinha’ e nem se parece com ninguém, ela só se parece consigo mesma, mas a beleza que ela expressa, essa sim, é sempre a cara o pai ou da mãe ou do próprio milagre da vida.
Eloá Marques, 8 anos de idade, é Miss Brasil Mirim 2020. Bom para ela ser eleita, num concurso, a garota mais bonita do país. Mas, ela é bonita (natural) ou ela foi feita bonita (artificial)? Começo logo com uma pergunta que é para gerar intriga com um bocado de gente que tem no belo artístico, que é um produto do espírito, conceito de beleza superior ao belo natural.
Vejo as pessoas na rua ou os atores num programa de televisão e consigo saber se tal ou qual pessoa ou personagem é bonito porque tem um conceito de beleza largamente difundido com um fim comercial, e funciona! É a beleza artística, a representação do belo por uma definição espiritual, exclusivamente humana.
Se tirássemos a maquilagem da Eloá e a deixássemos pelas ruas sem nenhum tipo de propaganda de sua beleza e só então fizéssemos uma eleição espontânea, seria ela, ainda assim, a garota mais bonita? Uma representação da beleza pela arte é sem dúvida agradável e acrescenta valor ao objeto independentemente se uma pintura, uma escultura ou uma pessoa. Num mundo monetizado, acrescentar valor de beleza aos produtos é a regra a ser seguida, pois gera valor de troca e, não fosse a monetização, não haveria concurso de beleza porque ninguém troca uma pessoa bonita por um pacote de arroz. Se bem que arroz agora está tendo valor de salão de beleza!
A arte pode durar para sempre, mas a beleza humana, ainda que produzida pela arte algum dia se acaba, assim como se acaba, também, a capacidade de se apreciar a beleza da arte porque ela perde o sentido para as pessoas que viveram da beleza e já não mais as tem. Mas, tem beleza que parece não acabar nunca. Minha mãe tem 86 anos de idade e é a pessoa mais linda que conheci em toda minha vida!



