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O pucheiro e a política

10/02/2020 15h01 – Por: Folha de Dourados

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Por José Tibiriçá Martins Ferreira – advogado

Hoje pela manhã encontrei-me com um amigo que há muitos anos assessora candidatos ao executivo e este ano começou um trabalho com uma equipe que já está a campo, afinal a eleição será no primeiro domingo do mês de outubro e a cada ano ela traz muitas novidades. Segundo ele o eleitor hoje está muito arredio e não acredita mais em promessas.

A maioria do douradense perdeu a motivação para responder muitas perguntas que nas enquetes são formuladas e os inquiridores são até enxotados. Temos vários pré-candidatos, mas no fritar dos ovos, alguns desistirão, estão apenas fazendo balaio de ensaio para postularem uma vaga no legislativo. Agora a chapa para o legislativo será pura e cada partido terá que escolher nomes fortes, puxadores de votos, senão vai morrer na praia.

A eleição em Dourados in illo tempore era decidida com a mão do governador e ultimamente não tem acontecido, basta fazer uma retrospectiva, parece que mais atrapalha, não tem poder de transferência de voto, isso poderíamos chamar de falta de liderança.

Antigamente o candidato do governo tinha em mãos a Enersul para extender a rede, colocar o postinho financiado, a sanesul para fazer a rede e levar a torneira até a casa de qualquer um, gratuitamente ou pagando uma taxa simbólica. Promoviam motirão para emissão de carteira de identidade, ofereciam dentadura, óculos, cesta básica e outros meios para trazer o voto.

Era tradição a população ser convidada para um puchero e depois de barriga cheia ouvir o candidato, onde levava toda família. No final o candidato beijava as criancinhas, não deixava de dar os abraços nos mais velhos e aquele tapinha tradicional nas costas. Um dinheirinho extra o candidato devia levar para ajudar os pedintes no pagamento de uma conta de luz, água atrasadas ou providenciar a compra de alguns remédios que não existiam na rede pública.

Concluindo:

Hoje o puchero está proibido e conseguir uma reunião para ouvir o candidato de barriga vazia não reúne ninguém, então o candidato tem que ser criativo, aproveitar as festas dos amigos, chegar de mansinho. O sorriso tem que ser colgate, distribuir abraços e dar os beijinhos, isto não está ainda proibido.

O pucheiro e a política

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