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Nova linhagem de peixe renova produção de pintado

20/01/2014 14h25

Por: Folha de Dourados

O consumo de pescado cresce no mundo inteiro. Alguns especialistas apontam que nunca houve uma demanda tão alta por produtos saudáveis e nutritivos. Nesse cenário favorável, cada vez mais a população procura incluir na sua alimentação algum peixe. Com a mudança de comportamento do consumidor a cadeia produtiva da piscicultura é impactada e novos desafios aparecem. Para o principal polo produtor de peixe no Mato Grosso do Sul, localizado na região da grande Dourados, o maior obstáculo da produção era salvar a criação de pintado.

Carro chefe da produção e exportação sul-mato-grossense, o pintado apresentava inúmeras dificuldades de manejo. A linhagem tradicional, produzida no Estado, e vulgarmente chamada de “ponto-e-vírgula”, acarretava grandes riscos. Para obter um peixe entre 1,3 Kg a 1,4Kg o tempo de engorda era 12 a 14 meses. Durante esse período, o “ponto e vírgula” apresentava alguns gargalos tecnológicos que demandavam um manejo bastante tecnificado, pois se mostrava pouco dócil, revelava traços de canibalismo e era suscetível a doenças.

Devidos aos gargalos no manejo do pintado “ponto e virgula”, o resultado final para o pequeno e o médio produtor não eram atrativos. Esse panorama desanimava o mercado. Mas, em 2011, buscando solucionar os entraves da produção do pintado, o Projeto Pacu lançou uma inovação no mercado, uma nova linhagem: o Pintado Real.

Segundo gerente-executivo do Projeto Pacu, Simão Brum, o Pintado Real foi desenvolvido para solucionar os gargalos da produção de pintado no Mato Grosso do Sul. “O pintado de linhagem tradicional era muito demorado para atingir o nível de terminação satisfatório para o frigorifico, e era bastante sensível, qualquer mudança na temperatura ou mesmo alguns dias após o manejo alterava seu comportamento alimentar. Se não fosse realizado um manejo adequado por tamanho, ele ainda apresentava traços de canibalismo, característica prejudicial a produção. Tendo em vista esses entraves nós desenvolvemos uma linhagem de pintado, o Pintado Real, com objetivo de melhorar o desempenho da raça”, explicou Simão.

Quem já adotou o novo pintado percebe a diferença logo cedo. De acordo com o gerente de produção do frigorifico Mar e Terra, Fábio Santamaria, o pintado Real é um grande avanço para piscicultura. “Com o pintado de linhagem tradicional, tínhamos vários problemas, desde sazonalidade na produção de alevinos até a grande suscetibilidade a bacterioses. O custo de produção era alto e os riscos grandes. Mas com a chegada do Pintado Real estamos assistindo uma revolução na piscicultura, sobretudo na criação de pintado. O Pintado Real salvou o negócio do pintado da extinção. Agora, é economicamente viável produzir pintado”, comentou Fábio.

Diferente da linhagem tradicional, o Pintado Real possui algumas características como: docilidade, ele come na superfície, ao contrário do pintado comum; resistência, o pintado real se adapta rapidamente evitando perda de peso, ou mesmo perda de peixe num lote; precocidade, enquanto o pintado comum leva de 12 a 14 meses para atingir o grau de terminação adequado, o Pintado Real alcança 1,7 kg a 1,8 kg, em sete a nove meses, em condições ideais e não apresenta tendência ao canibalismo,

Há três anos manejando o Pintado Real, o produtor rural José Carlos Biasotto renovou sua expectativa na produção de peixe. Mesmo com o inverno, o produtor consegue um resultado bastante satisfatório. “Não troco mais de Pintado. Quando um lote sai, já renovo meu estoque de peixe com mais Pintado Real. Ele é um peixe de fácil manejo, cresce rápido, em sete meses dependendo do clima, já tenho um peixe de mais ou menos 1,4 kg. E na hora de carregar no caminhão para despachar a produção para o frigorifico logo se nota a regularidade de rendimento de peso em cada tanque. Com o Pintado, a produção é regular, sem mais sustos”, comentou Biasotto.

A entrada da nova linhagem de pintado modificou a dinâmica produtiva da espécie no Mato Grosso do Sul. Com o Pintado Real foi possível definir um novo modelo de produção baseado na redução e garantias de etapas, pois, observa-se no ciclo produtivo do Pintado Real maior estabilidade na produção, sem taxas elevadas de mortalidade por canibalismo, e tempo de engorda mais rápido, na metade do tempo. No caso de Biassotto, o percentual de peso obtido, um pouco abaixo do desempenho esperado pela espécie, mostra que apesar do inverno, mesmo este sendo rigoroso, o Pintado Real ainda demonstra boas taxas de crescimento. A soma desses fatores renova o espírito do mercado, que mais do que nunca, aposta no Pintado Real para alcançar novos ganhos no futuro.

Nova linhagem de peixe renova produção de pintado

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