Mato Grosso do Sul é ‘atrasado’ em logística, aponta Famasul
26/11/2013 14h18
Por: Folha de Dourados
“Mato Grosso do Sul e o Brasil estão atrasados no desenvolvimento logístico. Atualmente existe a capacidade de armazenar apenas metade da produção agrícola do Estado, e com isso os caminhões acabam servindo como silos nas filas dos portos”.
A avaliação é do presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Eduardo Riedel, declarada durante a apresentação do ‘Centro Oeste Competitivo’, projeto de reconstrução da infraestrutura rodoviária, hidroviária e aérea, com a participação da iniciativa privada.
A apresentação das ações que impactam Mato Grosso do Sul ocorreu na segunda-feira (25), no auditório da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul).
Para a realização dos estudos que beneficiam a logística do Estado, a empresa Macrologística Consultores desenvolveu 150 entrevistas pessoais, identificando as prioridades entre as associações produtivas, empresas e autarquias.
Com uma projeção para 2020, os estudos priorizaram 10 eixos de integração logística da Região e preveem potencial de movimentação econômica anual de R$ 7,2 bilhões entre os eixos, montante que representaria redução de 11,8% no custo logístico, utilizando-se os volumes previstos para os próximos sete anos.
Para o presidente da Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), Almir Dalpasquale, a necessidade do desenvolvimento do Centro Oeste é imediata.
“O Estado não acompanha a evolução do campo e essa situação causa entraves logísticos. Pouco adianta contarmos com caminhões modernos e ágeis, com os portos em estado de calamidade. Se não remodelados urgentemente o sistema logístico de MS, futuramente os gargalos serão maiores e os prejuízos imensuráveis”, enfatizou Dalpasquale.
O projeto que foi encomendado pela Famasul e Fiems fez um diagnóstico da oferta da infraestrutura do Centro Oeste e da demanda gerada pelas cadeias produtivas, com mapeando de cerca de 60 produtos, incluindo a soja, milho, carne bovina, aves, açúcar, adubos e fertilizantes.
Nos resultados, os três eixos que aparecem como principais gargalos envolvem a BR-163, entre Dourados e Mundo Novo, a malha ferroviária que traça Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, incluindo a Malha Oeste entre Corumbá e o porto de Santos (SP), e a rodovia que liga Maracaju a Paranaguá (PR).
Em um demonstrativo de exportações de carne, o projeto mostra que atualmente, utilizando-se das atuais estruturas rodoviárias e portuárias, encaminhar uma tonelada de Mato Grosso do Sul até Shangai (China), via Santos, custa em média R$ 398. Com a concretização da ferrovia em MS os custos teriam queda de 11%, baixando para R$ 355.
Somando as necessidades de melhorias logísticas nas outras regiões brasileiras, o ‘Centro Oeste Competitivo’ inclui 106 projetos, com a necessidade de R$ 36,4 bilhões de investimento, sendo a maior parte do valor destinado ao setor ferroviário e portuário. De acordo com a empresa responsável pelos estudos, com a economia potencial anual do custo logístico que os eixos podem proporcionar, este investimento pode ser pago em pouco mais de cinco anos.



