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Brasil

O que está acontecendo com o Santos?

11/04/2013 12h35

(*) Cosme Rímoli

Outra reformulação mal feita por Muricy. O time parou no tempo. E vive às custas do desgastado Neymar…

O que está acontecendo com o Santos?

É inaceitável o time empatar com o Flamengo do Piauí.

Só Neymar recebe quatro vezes que o rival.

Fora Montillo, Cícero, Léo, André, Dracena, Durval…

Dinheiro não é o problema.

O 2 a 2 escancarou os problemas preocupantes.

O que acontece é uma grave crise tática.

Com direito a culpado: Muricy Ramalho.

Com diverticulite, seu fiel auxiliar Tata fez o que mandou.

Colocou o Santos da mesma maneira que tem jogado este ano.

A ausência de Arouca não é desculpa.

O time da Vila Belmiro perdeu a alegria.

A velocidade e os dribles sumiram.

O motivo é tático, está na falta de fluidez.

A bola não sai perfeita da defesa para o ataque.

É lenta, favorece a marcação adversária.

O time de Teresina usou duas linhas de quatro.

Mesmo com jogadores limitados, conseguiu se superar.

Josué Teixeira mostrou que sabe o que acontece no mundo.

Tirou os espaços com a maior facilidade dos paulistas.

A lentidão nasce de problemas crônicos santistas.

A falta de opção para o volante ou o zagueiro que tem a bola dominada.

A começar pelas laterais.

Galhardo foi ontem um ponta direita.

E Léo tratou de apenas de marcar, já que era na direita o ponto forte piauiense.

Ou seja, os lados estavam completamente comprometidos.

Apenas Cícero voltava para receber a bola.

Montillo caía pela meia direita.

Neymar ocupando a ponta esquerda como gosta.

E Giva enfiado esperando.

Esse é um erro recorrente santista.

A saída de bola é lenta demais.

Facilita a marcação adversária.

E aos poucos vai estrangulando o ataque.

Neymar pode ser o mais talentoso jogador do Brasil.

Mas está absolutamente sobrecarregado.

E vai se estressando cada vez mais ao perceber a dependência santista.

Foi responsável pelos dois gols santistas.

O de Giva e de Montillo.

Mas acabou muito criticado por não ter feito os seus.

Decidido outro jogo.

Virou sua obrigação.

Não é por acaso que fica atraente demais a chance de ir embora.

Há uma equipe maravilhosa como o Barcelona o esperando.

A raiva que passa no Santos se acumula.

Ela tem origem no treinador do time.

Muricy teve outra chance de reformular a equipe em 2013.

A primeira mudança radical foi um fracasso, no ano passado.

O centenário que seria brilhante acabou pífio.

E o centenário teve pouco brilho com conquistas sem relevância.

O Paulista e a Recopa.

Sem revelância para quem sonhava com a Libertadores e o Mundial.

Para este ano, Muricy errou de novo.

Aceitou o foco em Montillo.

Estava ansioso por ter o cruzeirense.

Trocaria o desmotivado Ganso pelo entusiasmado argentino.

Um deixava os planos da Seleção Brasileira.

O outro entrava de vez no time de Sabella.

Só que houve algo no percurso.

Montillo nunca foi armador.

Ele é um meia atacante extremamente ofensivo.

Precisa que a bola chegue até ele.

Não é de buscar, armar, ditar o ritmo do time.

Ficou uma lacuna importantíssima no meio de campo.

Embora tenha sangue frio para finalizar, Cícero sabe onde rende mais.

Como segundo volante.

Assim como Arouca.

Marcos Assunção também é especialista na função.

E não disse até agora porque foi contratado.

Nas laterais, outro ano com vários jogadores e extrema carência.

Esta nova reformulação de Muricy foi muito ruim.

O Santos é uma equipe previsível, fácil de ser marcada.

Não joga agrupada, em bloco.

Nem para defender e muito menos para atacar.

Os lentos Edu Dracena e Durval continuam desprotegidos.

Quando encontram atacantes velozes pagam seus pecados.

Rafael não conseguiu superar o trauma do corte da Olimpíada.

Nunca mais foi o mesmo goleiro confiante, de personalidade forte.

A presença de um artilheiro acima da média aliviaria um pouco a situação.

Mas o time insiste em André e força a barra com Giva, que não está pronto.

Patito não conta.

Miralles é apenas esforçado, eficiente contra pequenos.

Deveria forçar mais a contratação de Marcelo Moreno, possível.

Só que todos estão estagnados.

A diretoria é extremamente dependente de Luís Álvaro.

Parece o time de Neymar.

Ele se recupera de problemas cardíacos.

E parece que nada anda sem ele.

Muricy precisa usar seu mau humor com os dirigentes.

Exigir reforços, só que desta vez escolher melhor.

Muito dinheiro foi gasto com Montillo.

Deveria alertar, cobrar que há posições com carência crônica.

Como as laterais, o comando de ataque e o setor de criação, articulação.

Só com os nomes de Neymar e Montillo o Santos não vai ganhar o que precisa.

Quando se destacava Pelé e Coutinho, muitos se esquecem dos companheiros que tinham.

O Santos tem um time improvisado.

Com esquema tático ultrapassado.

O losango de Muricy é conhecido nas mesas de botão de adolescentes.

Ficou uma equipe datada, travada em si mesma.

E que implora por jogadas individuais de Neymar.

É pouco demais.

Está na hora da cobrança e de mudanças de rumos.

Chegou abril, o Santos tem a obrigação de se reformular.

Para não não lamentar um ano que pode ser muito ruim.

E Muricy Ramalho, se reciclar.

Fazer valer o seu salário altíssimo.

Redescobrir a fome de conquistas que o fez tetracampeão do Brasil.

Seu time é previsível, lento, sem imaginação.

Como bem descobriu o valente Flamengo de Piauí.

Equipe humilde pode até ser goleada no jogo de volta na Vila Belmiro.

Mas sua missão ela cumpriu.

Para os dois lados da moeda.

Encheu de orgulho a população piauiense.

Como mostrou de vez as mazelas deste Santos sem brilho.

Um time parado no tempo…

(*) Ganhou o prêmio Aceesp por seis vezes, como melhor repórter esportivo entre jornais e revistas de São Paulo. Trabalhou 22 anos no Jornal da Tarde. Começou com o blog no UOL, em 2009. Em sete meses, teve mais de 11 milhões de acessos. Cobriu as últimas Cinco Copas do Mundo, seis Eliminatórias para a Copa, quatro Copas América, dezenas de finais de Libertadores, Brasileiros e Campeonatos Paulistas. Um Mundial de Clubes no Japão. O Pan-Americano do México e três etapas do UFC. Com as Olimpíadas de Londres 2012, completou a marca de 29 países participando de coberturas esportivas.

Por: R7

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