Aplausos à tripla reação
O Brasil está a cada dia mais surrealista, surpreendente e até subserviente. Na terça-feira, o Senado, na imensa maioria dos que ainda são
Reação – 06/07/2007
O Brasil está a cada dia mais surrealista, surpreendente e até subserviente. Na terça-feira, o Senado, na imensa maioria dos que ainda são ouvidos pela ‘voz das ruas’, protestava contra Renan, pedia que ele pelo menos se licenciasse da presidência do Senado. Já era uma concessão, pois na verdade o que pediam e pretendiam era que Renan renunciasse, senão ao mandato pelo menos à presidência.
Renan presidia (?), estava na cadeira presidencial. Assistiu tudo, ouviu tudo, o constrangimento foi total, completo e absoluto. Ele não deu uma palavra. Mais tarde, diante dos jornalistas que só querem notícia, se refugiava na velha composição popular: ‘Daqui não saio, daqui ninguém me tira’. E parece que tem razão, por enquanto.
Na quarta-feira, os membros da ‘mesa’ do Senado se reuniam para examinar a gravíssima questão Roriz, igual à questão Renan, só que não começou da mesma forma. Quem presidiu a reunião? Renan Calheiros. Quem pediu o envio do processo para o Conselho de Ética? Renan Calheiros. Mas ele não está tão complicado quanto estava Roriz?
Na mesma quarta, Renan deu uma volta ou reviravolta, e disse sem qualquer constrangimento: ‘Os mesmos que quiseram derrubar o presidente Lula na eleição de outubro agora se voltam contra mim’. Ora essa, Renan está mesmo desesperado, sua situação não tem nada a ver com a do presidente Lula. Quando Renan foi ao Planalto na condição de presidente do Senado, esteve com Lula, voltou e disse aos jornalistas: ‘Lula é um grande amigo meu’. Lula não gostou, todos souberam do fato.
O presidente Lula merece aplausos por ter reagido com energia aos excessos do presidente Chávez. Este já ultrapassou os limites várias vezes. Agora, Lula foi duro, embora tivesse que ressalvar o povo da Venezuela, que não tem nada a ver com atos e gestos insensatos de Chávez.
Tendo atacado absurdamente o Senado brasileiro (todo e qualquer cidadão brasileiro pode, ele não), não aceitou se desculpar, o que seria bastante razoável, nos últimos anos até o papa se desculpou. A resposta dura de Lula veio em represália à tentativa de Chávez de intimidar o Brasil na questão do Mercosul.
Embora existam vários países nesse bloco, o objetivo de Chávez é atingir a liderança do Brasil, reconhecida até mesmo por Nixon, quando era presidente. Lula disse sem qualquer hesitação: ‘Quero a Venezuela, o Peru, o Chile, o Equador, todos no Mercosul. Mas não aceitamos ameaça ou intimação de prazos’.
Dona Dilma, ministra mais importante do governo, liquidou a questão numa frase perfeita: ‘Não damos intimação de prazo a ninguém, e também não aceitamos essa mesma intimação ou intimidação de ninguém’.
Quanto a Roriz, poucas linhas, e assim mesmo negativas. Renunciou por medo e por projetos ambíguos e vergonhosos para o futuro. Nenhuma grandeza na renúncia, afinal não é presidente do Senado, que pode resistir usando toda a máquina. Roriz chorou, apelou, implorou para que não mandassem seu processo para o Conselho de Ética.
Às 9 da noite da quarta, renunciou. Queria que os suplentes renunciassem, haveria nova eleição para o Senado, seria candidato, vexatoriamente. Se não conseguir isso, já se apresenta como candidato a governador pela quinta vez. Foi 4 vezes governador, era conhecido em Brasília, jamais teve projeção nacional.
PS – Roriz foi desleal com os amigos, como aconteceu com Mauricio Corrêa, que o ajudou muito. Mauricio, aposentado pela ‘expulsória’, deixou o Supremo em plena forma.
PS 2 – Queria ser suplente de senador, foi vetado pelo próprio Roriz. Se tivesse sido correto com o amigo, teria, no Senado, quem seria correto com ele. Corrupto, medroso e desleal, características de Roriz.
Fonte: Tribuna da Imprensa



