Uma divisão artificial
Ontem, primeiro dia de reabertura dos trabalhos do Congresso, só não era de espanto e de perplexidade a reação de deputados e senadores
‘Volta às Aulas’ – 02/08/2007
Ontem, primeiro dia de reabertura dos trabalhos do Congresso, só não era de espanto e de perplexidade a reação de deputados e senadores porque, faz muito, já se acostumaram. Acostumaram-se com quê? Com mais outro dos singulares improvisos do presidente Lula, feito na véspera, em Mato Grosso do Sul. Ninguém entendeu a história das duas orelhas que Deus nos deu, uma para escutar aplausos, a outra, vaias.
Pior ficou, porém, para os intérpretes das falas presidenciais, a referência aos banqueiros e empresários que jamais ganharam tanto dinheiro como no seu governo e agora movem campanha contra ele. A primeira parte da afirmação está certa, até confirmando a mudança profunda nas concepções políticas de Lula, porque os ricos estão cada vez mais ricos. A conclusão, porém, carece de verdade. Não são as elites, fora histriônicas exceções, que lançaram a expressão ‘cansei’, para criticar o governo.
É a classe média que se insurge. Aquela que não enriqueceu, como os empresários e os banqueiros, nem beneficiou-se dos programas assistencialistas dedicados às massas. É a que paga as contas e sempre deu sustentação ao poder público. Quando deixou de dar, os resultados foram trágicos.
Se o presidente Lula confunde os dados da equação, será menos por falta de compreensão dos fenômenos sociais, mais por malícia. Pretende excluir a classe média de suas considerações por já tê-la perdido, por isso apresentando à opinião pública um País rachado de alto a baixo por seus extremos, arvorando-se em porta-voz das massas e criticando apenas de boca aqueles a quem presta os maiores serviços. Não é por aí que Lula recupera seu prestígio. Nem através desses esdrúxulos improvisos.
Fonte: Tribuna da Imprensa



