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Começa a briga para substituir Tetila na Prefeitura em 2008

Sucessão – 20/08/2007

Embora a eleição municipal ainda esteja longe, a corrida sucessória em Dourados já foi iniciada. E já se sabe é que todas as atenções estão voltadas para a disputa na segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul, onde, ao que tudo indica, será travada a batalha mais acirrada de todo o estado.
 
Não é a toa que o processo eleitoral já foi deflagrado pela disputa interna dentro do PMDB. O próprio governador André Puccinelli tomou as rédeas do processo, porque sabe que sua reeleição ao governo também passa por Dourados.
 
Entre as forças políticas efetivamente colocadas na disputa, destacam-se o deputado estadual Ari Artuzi (PMDB), o deputado federal Geraldo Resende (PMDB), o vice-governador Murilo Zauith (DEM) e o Partido dos Trabalhadores (PT), que ainda não colocou um nome para a disputa.
 
O PMDB tem dois virtuais candidatos: Ari Artuzi e Geraldo Resende. Um dos dois estará fora da disputa. Caso o PMDB realmente tenha candidato em Dourados, as chances de Artuzi ser esse candidato são reduzidas, porque ele não é o candidato de André Puccinelli, apesar de aparecer muito bem nas pesquisas até aqui.
 
Ari não deve ser o candidato porque o patrão não o quer prefeito. Se tivesse que escolher alguém do seu partido não seria Artuzi. André é médico formado. Não compartilha com o estilo popular de Artuzi. Ari sabe que está sendo fritado em pouco óleo, por isso vem fazendo ameaças de sair do partido.
 
Neste caso, Geraldo seria o candidato. Mas o ex-socialista tem contra si o fato de não conseguir decolar em nenhuma pesquisa já feita. Se a eleição fosse hoje perderia feio para Artuzi. Será muito difícil para ele articular-se entre a classe política local e mais difícil ainda dentro do PMDB, aonde chegou há poucos dias.
 
Outro passivo político importante é a inconstância de Geraldo. Não é de hoje que ele costuma pular de um barco para outro quando vê a água jorrar na proa. Voltou-se contra Zeca do PT, de quem foi secretário até poucos meses antes da campanha para reeleição, e apoiou Marisa ao Governo e, mais recentemente, conseguiu suscitar a ira até de seus camaradas socialistas, ao abandonar o PPS para beneficiar-se da força do PMDB.
 
Muito quieto, até agora, o vice-governador Murilo Zauith articula sua candidatura e deverá ser candidato. Há uma cobrança forte dentro do DEM para que ele concorra à Prefeitura. O deputado Zé Teixeira avisou que sai do Democratas caso Murilo desista. Ele sabe que o DEM dificilmente sobreviverá no estado caso não conquiste uma prefeitura importante.
 
Murilo tem muito a seu favor. É um com pouca sem rejeição. Empresário bem sucedido, Ele assume bem o perfil de administrador competente. Murilo também quer ser prefeito de Dourados há muito tempo. Mostrou coragem ao disputar uma eleição contra Tetila e contra o governador Zeca do PT. Além disso, Murilo mostrou-se um político que valoriza grupo e alianças, ao abrir mão da candidatura ao Senado na chapa de André, abrindo vaga para Marisa Serrano e aceitando o lugar de vice.
 
Murilo sabe que o governador tem essa dívida política com ele e certamente vai cobrá-la, na hora certa. Além disso, está na fila há mais tempo que qualquer outro nome da direita, e fila, em política, é coisa que todo mundo tem respeitar, e André também pensa assim.
 
Pesa ainda o fator de hegemonia do PDMB no estado caso o partido conquiste a Prefeitura de Dourados. Tendo o Governo, a capital, Três Lagoas e Dourados, o PMDB se tornaria absoluto e provocaria um grave desequilíbrio de força dentro da direita. O DEM e o PSDB sabem que isso não é bom.
 
Por isso, o mais provável é que Murilo seja o candidato de André em Dourados, numa chapa composta por ele na cabeça e com um candidato do PSDB como vice-prefeito. Há rumores, inclusive, que este candidato seria um médico, o que construiria uma chapa dentro das especificações do marketing, uma vez que, composta por um “empresário e administrador competente e um médico”, os dois maiores anseios da população estariam contemplados na majoritária: emprego e saúde, satisfazendo o imaginário popular.

Fonte: Folha de Dourados

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