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Evangélico fica com ‘filé’, mas terá que devolver equipamentos

Saúde – 27/08/2007

Equipamentos médicos que preenchem uma lista de cem páginas terão que ser devolvidos pelo Hospital Evangélico (HE) para o poder público. A obrigatoriedade de devolução se deve ao descredenciamento do HE do Sistema Único de Saúde. Agora, sendo um hospital privado sem vínculos legais com o SUS, o Evangélico não pode manter os equipamentos em seu poder.
 
João Paulo também responde que mesmo fora do SUS o HE continuará prestando serviços ao Município. Só que, agora, o Evangélico poderá escolher que serviços vai querer executar e a que preço.  “O Evangélico poderá optar por atender somente alguns procedimentos, aqueles que ele achar mais interessante; nós vamos dizer o serviço que nós queremos comprar e ele dirá quais os serviços que ele quer vender”, explicou João Paulo.
A quantidade de equipamentos pode ultrapassar de dois mil, muitos deles caros, utilizados na unidade de terapia intensiva (UTI). A informação é do próprio secretário de Saúde do Município, João Paulo Esteves, que solicitou ao Governo do Estado a lista completa dos equipamentos adquiridos com dinheiro publico e que foram entregues por empréstimo ao Evangélico.
 
Segundo o secretário, nenhum dos equipamentos é de propriedade do Município, por isso, disse, “é competência do Estado estar solicitando a devolução de todos eles”, o que ele acredita será feito em breve.
 
Filé – A opção do Evangélico de sair do SUS significa, na prática, que ele ficará com o “filé” dos procedimentos e deixará o “osso” para o Município encontrar uma solução.
Isso porque muitos dos procedimentos de alta complexidade, que também são os mais caros, continuarão a ser feitos apenas no HE, porque apenas nele existe a estrutura e o corpo clínico necessários. Além do Evangélico, apenas o Hospital do Coração executa alta complexidade em Dourados, que são as cirurgias cardíacas.
 
Dados fornecidos pela secretaria de Saúde mostram que em 2006 o SUS repassou R$ 4.086.836,30 ao Evangélico, correspondentes a serviços de alta complexidade (Cirurgias ambulatoriais especializadas, Terapia renal, substitutiva, Radioterapia, Quimioterapia, Ressonância magnética, Tomografia, computadorizada, Hemoterapia). Esses procedimentos e vários outros de média complexidade, bem como os dividendos que eles proporcionarão, deverão continuar sendo feitos pelo Hospital Evangélico, que, agora, poderá recusar-se a prestar atendimentos de menor rentabilidade financeira.
 
O novo contrato proposto pelo Município previa fiscalização mais rigorosa nos gastos em procedimentos efetuados pelo hospital e não foi aceito pelo HE. “Apesar dos nossos esforços e do Governo do Estado o Hospital Evangélico não aceitou nossa proposta de contrato para atender o todo”, disse o secretário.
 

Fonte: Folha de Dourados

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