Em entrevista exclusiva à folha de dourados, o prefeito José Laerte Cecílio Tetila disse que irá se articular bastante
Em entrevista exclusiva à folha de dourados, o prefeito José Laerte Cecílio Tetila disse que irá se articular bastante
– 29/08/2007
Laerte Tetila : ‘O candidato do PT precisa estar sintonizado com a população’ – Prefeito diz que vai influenciar na escolha e que as pesquisas qualitativas e quantitativas serão decisivas
Em entrevista exclusiva à folha de dourados, o prefeito José Laerte Cecílio Tetila disse que irá se articular bastante para que o candidato do PT a sua sucessão esteja em sintonia com o desejo da população. Tetila, cujo segundo mandato será encerrado no final de 2008, crê que a decisão do diretório municipal será respeitada em instâncias superiores do partido, que vem manifestando duas preferências; o ex-vice-governador Egon Krackekhe e o ex-deputado federal João Grandão.
Tetila afirmou também que vem discutindo o processo sucessório dentro do PT e revelou que vem mesmo intermediando um cessar fogo entre o ex-governador Zeca do PT e o senador Delcídio do Amaral.
Na entrevista, o prefeito destaca a queda do índice de mortalidade infantil em Dourados, o PAC, os problemas envolvendo o Hospital Evangélico e anuncia a criação dos Polem’s: Pólos de Educação Municipal. A seguir, os principais trechos.
JHM – O ex-deputado federal João Grandão declarou à ‘folha’ que o senhor deve comandar o processo sucessório dentro do PT. O senhor já vem fazendo isso.
JHM – O ex-deputado João Grandão está coberto de razão. Quem está na frente do Executivo municipal precisa também desenvolver um papel político. Participado das reuniões do partido, do diretório e da executiva, procurando influenciar ao máximo. Mas o nosso papel transcende a Dourados. Evidentemente, as forças políticas do PT chegam até a Brasília. Estou sempre me articulando com deputados federais, com o senador Delcídio Amaral. Conversei com senador e com o Zeca para encerrar, entre eles, as intrigas inócuas, inoportunas e desnecessárias que não levam nada, mesmo porque há espaços para os dois; a prefeitura de Campo Grande, em 2008, ou o senado, governo e câmara federal em 2010.
JHM – O senhor acredita que a decisão do Diretório Municipal quanto à escolha do candidato será referendada na instância estadual ou haverá interferência?
JHM – Olha, não vejo essa possibilidade. O PT de Dourados tem um grande respeito do PT nacional e estadual, até porque nós acertamos muito mais do que erramos em Dourados. Procuramos fazer uma política séria e mantendo firme os princípios do PT das origens e isso que nos tem credenciado bastante junto à sociedade.
JHM – Prefeito, o PT já tem as pré-candidaturas do ex-vice-governador e atual secretário Nacional do Meio Ambiente, Egon Krackekhe, do seu secretário de Governo Wilson Biasotto, da vereadora Margarida Gaigher, do presidente da Cassems, Lauro Sergio David e o ex-deputado João Grandão. O senhor tem preferência por alguém?
Tetila – São cinco nomes importantes e com muita experiência. Tenho certeza que a sociedade vai reconhecer o trabalho de nossa administração, que modesta à parte, é a melhor administração que Dourados já teve. Mas, para isso precisamos ter um candidato ideal. Pegamos a cidade por baixo e hoje é uma metrópole do centro-oeste, somos uma das cidades mais dinâmicas do Brasil. Dourados não pode perder de vista esse momento histórico, e quem comprova isso são publicações da grande mídia, como a Gazeta Mercantil e instituições do nível do Sebrae.
JHM – Então, o candidato do PT a sua sucessão é aquele que será escolhido pelo diretório?
Tetila – Exatamente, mas é claro que vou me articular bastante para que a gente possa trabalhar com um candidato que tenha perfil. Também trabalharemos com pesquisas qualitativas e quantitativas para que a gente possa sintonizar o nosso desejo com o desejo da população. Isso será decisivo para vencermos a eleição de 2008.
JHM – Como estão caminhando as negociações com o Hospital Evangélico?
Tetila – O Hospital Evangélico encerrou a negociação e não vai continuar com o SUS. Estamos buscando outras alternativas. O HE vai trabalhar mais intensamente com atendimento particular, mas sem abrir mão de alguns serviços do SUS, como a hemodiálise, serviços de radioterapia, quimioterapia, entre outros.
JHM – Então, na verdade o HE não será descredenciado, ficará com os serviços de alta complexidade.
Tetila – Sim, o HE não mais trabalhará com urgência e emergência, ou seja, com o pronto socorro e as internações.
JHM – A Prefeitura pretende mesmo arrendar o Hospital Santa Rosa?
Tetila – Nós estamos buscando alternativas. O secretário municipal de Saúde João Paulo Esteves tem trabalhado intensamente para fechar as novas propostas, entre elas aumentar a quantidade de internações no Hospital Universitário, readequar o Hospital da Mulher e arrendar hospitais, entre eles, o Hospital Santa Rosa.
JHM – Prefeito, é verdade que caiu a taxa de mortalidade infantil em Dourados?
Tetila – É verdade. Um dos dados que mais temos para comemorar é a redução da mortalidade infantil ao longo de nossa administração. Caiu de 35 mortes por mil para 15,6. Na Reserva Indígena a redução nos últimos anos foi de 82.7%. São dados excelentes. Já estamos abaixo da média nacional.
JHM – Quando efetivamente começam as obras do PAC?
Tetila – O presidente Lula garantiu a liberação total das verbas do PAC. Elaboramos os projetos técnicos e encaminhamos para a Caixa Econômica Federal para análises e autorização das licitações. As obras devem ficar para 2008.
JHM – Até o final de seu segundo governo, o que o senhor pretende realizar?
Tetila – Colocar em andamento as sete novas frentes de asfalto, das quais duas estão com os recursos liberados pela CEF e as outras estão para serem liberadas. Iremos inaugurar o Pavilhão de Eventos, uma obra de 2 mil metros quadrados. Entrego também o Centro de Abastecimento Regional; inicio e concluo o Centro de Convenções, pretendo chegar os 30 conjuntos habitacionais, que será um recorde absoluto entre todo os ex-prefeitos de Dourados (fizeram 20); entregarei todas as escolas informatizadas, reformadas ou ampliadas com nova bibliotecas e construir 5 Polems.
JHM – Polems?
Tetila – São os Pólos de Educação Municipal. Escolhemos cinco escolas estrategicamente distribuídas pelos bairros populares, onde faremos uma construção arredondada, sem coluna interna, com espaço para 320 pessoas. Será um espaço de múltiplo uso, onde as crianças poderão aprender violão, judô, karate, capoeira enfim, todas as manifestações da comunidade. Os Polems abrirão espaço para reunir associação de moradores, ministrar palestras, cursos etc não só para estudantes, mas para toda a comunidade.
JHM – Um dos gargalos urbanos de Dourados é a malha asfáltica deteriorada. Tem alguma coisa encaminhada neste sentido?
Tetila – Até o final do ano vamos consertar os pontos críticos. Estamos buscando recursos federais para refazer a malha deteriorada. Se não der certo vamos tocar com recursos próprios. É difícil, pois são quase 500 quilômetros de extensão no perímetro urbano.
JHM – Prefeito, e as estruturas que abrigaria a Câmara Municipal, atrás do Terminal Rodoviário, no Parque Arnulpho Fioravanti.
Tetila – Pretendo também terminar aquela obra. Um dos blocos será destinado para a Guarda Municipal e outro para o Instituto do Meio Ambiente.
JHM – O senhor também pretende concluir a revitalização dos parques?
Tetila – Com certeza. Os parques Antenor Martins e o Ambiental do Cachoeirinha estão prontos. No Parque Arnulpho Fioravanti colocamos lá dentro as polícias Ambiental e Montada e o cercamento total deverá ficar pronto em 15, 20 dias. Os recursos para iniciarmos as obras do Parque do Paragem estão no caixa, cerca de R$ 400 mil. Será um novo parque ambiental da cidade, através de uma parceria da Prefeitura com a UFGD. Começaremos as obras tão logo termine o processo licitatório.
JHM – E o Aeroporto Municipal…
Tetila – Dourados irá ganhar novas rotas, inclusive, turísticas. Estamos com contato bastante intenso com a Infroaero para viabilizarmos as reformas. Fala-se muito do aeroporto, mas o nosso tem uma pista maior do que o de Congonhas e o que falta é a homologação de 600 metros que já fazem parte da pista. O terminal é razoável e precisa ser ampliado, além do cercamento de todo o perímetro do aeroporto. Enfim, as reformas haverão de acontecer, estamos trabalhando para isso.
JHM – O que a Prefeitura está fazendo pelos distritos e as estradas vicinais em função da ‘era da cana’?
Tetila – De fato, com essa mudança da economia de Dourados, com a chegada abrupta da atividade canavieira, com 11 mil hectares já plantados, isso começa a afetar os distritos. Hoje não se fala mais em consertar pontes de madeira, mais sim substituí-las pelas de concreto. Estamos mapeando os fluxos, as estradas mais utilizadas a fim de adequá-las. Por exemplo, o Panambi hoje é uma bolha de poeira, 24 horas por dia, e o povo está pressionando com justiça e nós temos obrigação de procurar o governo do Estado porque a rodovia que passa por lá é estadual. Nem por isso a Prefeitura vai se eximir de buscar solução. Mas queremos a presença da Agesul com máquinas e operadores.
Fonte: Folha de Dourados



