Discriminado, Artuzi pode apoiar até o PT
– 03/09/2007
Líder absoluto em todas as pesquisas de opinião pública realizadas para “consumo interno” dos partidos, o deputado estadual Ari Artuzi (PMDB) enfrenta um paradoxo: é rejeitado pelas principais lideranças políticas de Mato Grosso do Sul, quando o assunto é a Prefeitura de Dourados. O dilema de Artuzi ficou acirrado com a recente entrada no PMDB do deputado federal Geraldo Resende que migrou do PPS e é também postulante declarado à cadeira do prefeito Laerte Tetila, do PT.
Contra Artuzi há o preconceito elitista de que um ex-motorista, modesto pai de família e morador num bairro popular não tem a bagagem intelectual e experiência administrativa para governar a segunda e mais importante cidade do Estado.
Artuzi tem razão para desconfiar que pode ser preterido pelo PMDB. Afinal, por que seu partido organizou o maior evento político do ano na cidade para receber Resende, com presenças do naipe do governador André Puccinelli e do presidente nacional da legenda, o deputado federal Michel Temer? Será que lá na frente o diretório regional do PMDB não destituirá o atual diretório municipal para indicar uma executiva provissória e dar a legenda para Resende? Ou será uma articulação para criar a terceira via e lançar o vice-governador Murilo Zauith, do DEM?
Nos próximos dias, Artuzi pretende dar um ultimato ao governador. Ele quer que Puccinelli assine um termo declarando apoio a sua candidatura. Somente depois desta conversa que irá começar, pra valer, a definir seu futuro político. O deputado pode não ser um primor intelectual, mas não é bobo e nem ingênuo.
Como dificilmente Puccinelli assinará tal documento, Artuzi tentará convencer o deputado estadual Zé Teixeira a deixar o DEM, para juntos irem ao PSDB. Esse projeto visa viabilizar sua candidatura e enfraquecer politicamente Zaiuth, cujo partido ficaria sem bancada na Assembléia Legislativa (AL) e sem os dois maiores “cabos eleitorais” da legenda em Dourados (Zé Teixeira e o vereador Sidlei Alves).
Outro projeto viável que Artuzi vem analisando é o PDT, que o quer como candidato a prefeito. Entre os trabalhistas contaria com a astúcia e articulação do ex-deputado federal João Leite Schimidt e uma legenda forte com bancada na Câmara de Vereadores e na AL.
Contudo, se perceber manobras traidoras, lá na frente, que possam impedi-lo de disputar a Prefeitura pelo PSDB ou PDT, Ari Artuzi tem como opção se lançar candidato num partido de menor expressão. Para isso, articulou a criação em Dourados, no dia 25 de agosto, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), cujo maior expoente é o vice-presidente da República José de Alencar.
Entre as mais de mil pessoas que Artuzi filiou no PRB estão os empresários Antônio Casarotto e Eduardo Uemura os ex-vereadores como Francisco Saraiva e Jorge Dauzacker e sua esposa, Maria Artuzi.
Caso não viabilize recursos para uma campanha modesta, cerca de R$ 2 milhões, restará a Artuzi a opção de apoiar a candidatura da situação, lançando sua mulher na chapa encabeçada pelo PT, criando assim, uma contradição, já que o deputado sempre foi ferrenho adversário petista. Se os marqueteiros da campanha resolverem esse problema a chapa fica forte, pois, estrutura o PT tem.
Fonte: José Henrique Marques



