Usina de biodiesel nasce em Dourados e já encanta a Europa
Muito embora a grande mídia ainda não tenha descoberto, Dourados contribui com uma parcela importante no campo de pesquisas.
Agronegócios – 03/09/2007
Muito embora a grande mídia ainda não tenha descoberto, Dourados contribui com uma parcela importante no campo de pesquisas. É na maior cidade do interior do Mato Grosso do Sul que o engenheiro eletricista Marco Antonio Fernandes de Souza desenvolveu aquele que é, sem nenhuma dúvida, o melhor e maior projeto de produção de biodiesel do Brasil, e talvez até de todo o mundo.
Ao aceitar o desafio do então deputado federal e hoje vice-governador Murilo Zauith para desenvolver um trabalho que teria como foco o biodiesel, Marco Antonio mal conhecia o tema, passando então a buscar conhecimento em todas as fontes, enquanto desenvolvia um intenso trabalho de pesquisa nos laboratórios da Unigran, em Dourados.
Na sua concepção teria que ser um equipamento extremamente compacto, simples e que processasse o combustível em uma única máquina. Teria que ser um equipamento de tal forma que você colocasse a matéria prima e dali já saísse o biodiesel pronto para ir para os tanques dos veículos, disse.
E o caminho escolhido foi o correto. Hoje, criar usinas compactas é o grande diferencial da Usibio, o que facilita sobremaneira sua implantação em espaços reduzidos. Quando tive essa idéia percebi que não precisaria das grandes torres, não precisaria de outros aparelhos para fazer a destilação de álcoois, de excedentes na reação (que você precisa recuperar para poder ter um combustível competitivo), com o objetivo de baratear o custo do biodiesel, explica Marco Antonio, acrescentando que então, eu recupero, eu processo tudo isso aí, e ainda compactei toda aquela quantidade enorme de aparelhamentos num único equipamento.
Essa é a criação da Usibio, empresa já formalizada. O registro da patente é Reator Multi-Funcional para Produção de Biodiesel. Esse reator processa a reação, recupera os álcoois de excesso, faz a lavagem, secagem e, mesmo se a matéria prima estiver ruim, não própria, você pode purificá-la. Esse é o método diferencial, avalia Marco Antonio.
Cada módulo tem a capacidade de produzir 10 mil litros/dia, mas a partir do sexto módulo instalado em série, é possível ter uma produção semi-contínua, o que significa 5 mil litros/hora.
Hoje a Usibio tem implantadas sete usinas no Brasil. Marco ressalta que não construímos usinas. Vendemos a tecnologia. Para a montagem a Usibio trabalha com duas metalúrgicas. Uma é a Montadora Industrial São Miguel, aqui de Dourados, e uma outra metalúrgica em Caxias do Sul, RS. Em fase de expansão, ele lembra que um empresário que se encantou também com nosso projeto, e resolveu fazer uma parceria com a gente e hoje lá ele formou a Usibio Sul, em parceria com a Usibio e a PUC de Porto Alegre.
Mas não fica por aí. O projeto Usibio já ultrapassou as fronteiras nacionais. Através da Unigran, da unidade extensiva baseada em Cuiabá, e através de seus diretores lá, houve um contato com a maior universidade da Itália, que é a Universidade de Turim. Fomos convidados levar nosso projeto para os proprietários dessa universidade, que mostraram muito interesse e nos convidaram para apresentá-lo, com todas as despesas pagas, festeja Marco Antonio.
Fonte: Folha de Dourados



