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Indígenas estão cada vez mais próximos ao acesso às universidades

– 03/09/2007

Depois da Lei nº 2.589 que rege a implantação de 10% das vagas para índios nas universidades públicas o caminho para o acesso nas universidades virou uma realidade para a comunidade indígena. A Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) oferece 10% de suas vagas para índios, a Unigran e a Uniderp através do governo federal oferecem o Programa Universidades para todos (Prouni) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) o curso voltado para indígenas guaranis e caiuás.
O curso de Licenciatura Indígena (projeto Teko Arandu), com 60 vagas e até o momento, segundo a coordenadora do projeto, Maria Aparecida Rezende, está tendo um desenvolvimento esperado. “O curso está em um desenvolvimento esperado e as parcerias com a Funasa, Funai, Prefeitura Municipal, UCDB e o MEC está ajudando, mesmo sendo as vagas disponíveis entre guaranis e caiuás houve muita disputa entre eles”, disse a coordenadora.
Para o universitário indígena, Ladio Verão Cavalheiro, 39 anos, matriculado no curso de graduação de Licenciatura Indígena é um grande desafio está em uma universidade, à falta de incentivo o preconceito ainda são barreiras. “Foi difícil entrar para uma universidade, a falta de incentivo o preconceito que existe até mesmo entre nós indígenas ainda é um empecilho. Dependemos de entidades governamentais que muitas vezes deixam a desejar no apoio”, disse o acadêmico.
O acadêmico do curso de Geografia, Marcio Barcellos, acredita que o acesso às universidades para os indígenas é uma ação importante para iniciação da inclusão. “Considero essa ação muito importante para começar uma inclusão e tentar minimamente diminuir as diferenças sociais. Ninguém tem preconceito até ter que dividir um local ou concorrer com um negro ou índio”, disse Barcellos.
A professora efetiva da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Maria José de Jesus Alves Cordeiro, foi quem implantou o sistema de cotas na universidade e diz que mais de 100 indígenas ainda resistem ao preconceito. “Eles ainda são descriminados, mas muitos deles resistem ao problema, eles são seres humanos como nós e merecem o nosso respeito e nosso incentivo para continuar estudando”, disse ela.
Segundo Maria José, muitos dos alunos indígenas que ainda resistem ao preconceito sofrem dentro dos ônibus. “Eu já recebi um caso de uma estudante indígena que não deixaram ela sentar em um banco vago no ônibus por ela ser índia”, comentou ela e disse ainda “a imagem que foi criada do índio é que ele é hostil, incapaz de viver em grupo pela sua liberdade, a língua e a integração no meio universitário também são barreiras enfrentadas pelos estudantes índios”, explicou Maria José.
O indígena, César Fernandes, acadêmico de História na UFGD é um exemplo de estudante que concorreu por igual uma vaga na universidade. “Como na UFGD não existe cotas eu disputei por igual uma vaga para o curso de História, em relação à inclusão é muito difícil dizer, porque ainda é uma realidade sonhada, o que não acontece na realidade”, disse o indígena.

Fonte: Folha de Dourados

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