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Desde 1968 Ano 58

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Continuando… Xangai…

Do Sertão da Bahia – 10/09/2007

Influenciado diretamente por seu conterrâneo, Elomar, tornou-se como ele, um incansável batalhador e divulgador da música oriunda do sertão baiano, ajudando a abrir as portas das nossas Bahias, para os baianos e brasileiros de todas as regiões. Volto ao início, salve a resistência, o engajamento, nem tudo esta perdido! Corre o país, mostra seu canto, e registra seu talento em belos discos, como, Mutirão da Vida e a serie Cantoria, fruto dos shows realizados com Vital Farias, Geraldo Azevedo e Elomar todos em 1984, e consagra-se ao interpretar a canção Ai, d’eu sodade também conhecida como ABC do Preguiçoso de autor anônimo. Marido se alevantaE vai armá um mundéOra pegá uma paca gordaPra nóis fazê um sarapatéAruêra é pau pesadoNé minha véaCai e machuca meu péE ai d’eu sodadeIntonce marido se alevantaE vai na casa da tua avóBuscar a ispingarda delaPra cê matá um mocóSó que no lajedo tem cobra brabaNé minha véaMe morde e fica pioE ai d’eu sodadeMarido se alevanta E vai caçá uma siriemaNóis come a carne delaE faz uma bassora das penaQuem me dera ta agora né minha véaNos braço duma roxa morenaE ai d’eu sodadeSujeito alevantaE vai na casa do venderãoComprá uma carne gordaPra nóis cumê um pirãoÉ qui eu num tenho mais dinheiroNé minha véaFiado num compro nãoE ai d’eu sodadeMarido se alevantaE vai na casa do venderimComprá déis metro de chitaPra fazê ropa pro nosso fiinAi dentro tem um cochão véiNé minha véaDismancha e faiz umas carça pra mimE ai d’eu sodadeDisgramado te alevantaDeixa de sê priguiçosoO home que num trabaiaNum pode cumê gostosoÉ que trabaiá é muito bomNé minha véaMais é um pouco arriscosoE ai d’eu sodadeMarido se alevantaE vai tomá um mingauQue é pra criá sustançaPra nóis fazê um calamengauBrincadera de manhã cedoNé minha véaArrisca quebrá o pauE ai d’eu sodadeMarido seu disgraçadoTu ai de morrêCachorro ai de ti latiE urubu ai de ti cumêSe eu subesse disso tudoNé minha véaEu num casava cum ocêE i d’eu sodade.Em 1986 grava mais um disco muito bem recebido pela crítica, Xangai canta Elomar, em seguida viaja para a Europa, Japão e Cuba, encerrando neste último país o Festival Internacional de La Guitarra de Havana em 1989. Em 1990 lança o disco, Xangai, lua cheia-lua nova, e em 1991 Dos labutos. Continuou suas andanças pelo Brasil a fora e em 1995 e 1996 em parceria com Renato Teixeira, percorre o país com o show Aguaraterra, fazendo enorme sucesso e lançando um CD ao vivo com os melhores momentos do espetáculo. Na seqüência lança os seguintes CDs, Cantoria de festa, em 1997; Um abraço pra ti pequenina, em 1998 e Brasileirança, em 2002, os dois últimos acompanhado pelo Quinteto da Paraíba. Xangai é o que se pode chamar de um autentico artista de raiz, preservando a pureza da cultura sertaneja baiana, sem deixar se levar por influencias que a venham descaracterizar, seu trabalho se insere numa linha regional, onde a qualidade esta acima de qualquer tentação mercadológica, e essa resistência é o que faz com que sua obra tenha linearidade, substancia e representatividade. Por não se deixar levar por modismos, em alguns casos é mal interpretado, contudo esses que o criticam, são os retrógrados de plantão, que nada sabem dos valores culturais permanentes de nossa gente e se arvoram na maioria das vezes a posarem de críticos, sem se darem conta que estão prestando um desserviço a nossa inteligência, subestimando o bom senso coletivo.Vamos resistir, ouvir Xangai, deixar de prosélitos e acordar para a beleza de nossas cantorias sertanejas, afinal de contas, qué qui tu tem canário, que quando canta arrepia!

Fonte: Folha de Dourados

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