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Belisário pede a Antenor que saia cabeça erguida da cadeia

Dirigir sem documentos é grave. Tentativa de suborno é gravíssimo. Pior ainda é, frente a todas essas acusações o culpado manter uma atitude

O exercício do perdão – 12/09/2007

Dirigir sem documentos é grave. Tentativa de suborno é gravíssimo. Pior ainda é, frente a todas essas acusações, o culpado manter uma atitude arrogante e desrespeitosa para com os agentes da lei no cumprimento do dever – ainda que estejam no fim do mundo. Antenor infringe todas essas regras quando abordado na estradinha de Paraty. Não importa se presidente do grupo Cavalcanti ou se um simples zé-ninguém – a lei vale pra todos. Por isso, sem qualquer apelação, Antenor acaba no xilindró – mas tem direito a fazer um telefonema.
A promessaAntenor disca e não encontra nem os empregados de Paraty, nem os da sua casa no Rio. Do advogado, ele não sabe o telefone de cor. O jeito é ligar pra Rodrigo. Mas ele também não está. E agora? Inseguro, ele deixa recado com Otilia, que, preocupada, voa até a casa de Virgínia. Belisário a recebe e, quando descobre a situação do filho, diz com determinação e sinceridade impressionantes: “Eu vou resolver. Eu mesmo cuido disso”. Mas será mesmo?
Relação azedaTendo conseguido dinheiro emprestado com Cássio, lá se vai Belisário até a cidadezinha onde o filho está. Vai como quem cumpre uma missão sagrada. Na delegacia, aquele senhor de aparência distinta, apresenta-se como pai de Antenor Cavalcanti. Traz o advogado para tratar das formalidades da soltura, mas, quando descobre que, além da falta dos documentos, Antenor é acusado de tentativa de suborno, Belisário resolve ter uma conversa com o filho antes de tudo. No passado, ele também foi preso sob a mesma acusação. Coincidência ou não, esse foi o motivo que azedou sua relação com Antenor.
Discurso emocionadoFrente a frente, pai e filho se encaram. Por ironia do destino, Antenor, o todo-poderoso, está nas mãos daquele homem. Belisário, pra ele, sempre foi um sanguessuga, um fracassado, que teimava em envergonhá-lo. Mas agora, estranhamente e por força das circunstâncias, parece restabelecer-se entre eles o vínculo familiar perdido há tempos. De repente, é como se Antenor fosse novamente menino e Belisário, um pai na tarefa de zelar pela sua educação. Mas em vez de repreensão, palavras de consolo. Em vez de vingança, compreensão. Ali, na solidão da cadeia, sem platéia e sem palmas, Belisário dá provas de sua grandeza – ainda que sob a capa da malandragem. Não só entende os motivos de Antenor como tem a capacidade de perdoá-lo.
Orgulho e cabeça erguidaToda essa nobreza e compaixão, num instante, fazem desmoronar o orgulho de Antenor. Depois de um discurso emocionado, Belisário cobra uma única dívida que Antenor tem com ele: “Foi aquele menino de 10, 12 anos, que jurou nunca ser humilhado, que construiu o grupo Cavalcanti… Você me deve isso”. Antes de deixarem a cadeia, Belisário pede a Antenor que saia cabeça erguida. Afinal são dois Cavalcantis. E não só isso. São, novamente, pai e filho, novamente grandes amigos. Para sempre.

Fonte: Globo

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