Simulações mostram que pilotos não poderiam reagir, diz deputado
Acidente da TAM – 15/09/2007
Após acompanhar a realização de oito simulações do acidente com o Airbus A320 da TAM, o deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI da Crise Aérea, afirmou que os pilotos do vôo JJ 3054 não conseguiriam evitar o acidente após a aterrissagem. As simulações ocorreram na tarde desta sexta-feira na South America Flight Training, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Em uma das simulações baseadas nos dados recolhidos das caixas-pretas, os dois pilotos que realizavam os testes também não conseguiram frear a aeronave e evitar a colisão com o prédio da empresa. O vôo virtual foi acompanhado pelo coronel Antônio Junqueira, que já trabalhou no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e foi contratado pela Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações.
O coronel, que ainda trabalha como piloto, descreveu como “atordoante” a simulação em que o avião colidiu. “A gente sente nitidamente o desespero, eu fiquei bastante emocionado como piloto”, disse o coronel, que até sugeriu que a simulação fosse interrompida antes da colisão.
Junqueira explicou que, nesta simulação que terminou em uma colisão, o manete da turbina esquerda foi colocado em posição reverso – o correto durante o pouso – e o manete da direita em climb, que é o primeiro estágio de aceleração, uma posição acima da idle (ponto morto). “A violência com que a aeronave se comportou extrapola qualquer previsão dos fabricantes”, disse Junqueira.As simulações mostraram que não haveria tempo para frear a aeronave mesmo que os pilotos percebessem um eventual esquecimento do manete em uma posição errada, de aceleração. “Mesmo que eles desligassem ou tentassem algum tipo de procedimento para desacelerar a aeronave, não seria suficiente naquelas condições”, disse o coronel.
Fonte: G1



