30 presos com doença psiquiátrica são tratados em celas
Campo Grande – 25/03/2009
Ao menos 30 detentos abrigados em presídios de Campo Grande sofrem transtornos psiquiátricos e precisariam de amparo médico, mas, por falta de hospital, conhecido como manicômio judicial, eles ficam trancados em celas isoladas, informa o juiz Francisco Gerardo de Souza, chefe da Vara de Execuções Penais da Capital.
Na prática, isso significa que em Mato Grosso do Sul recebe cuidado médico em hospital especializado em psiquiatria apenas os réus com boa situação econômica.
Gerardo Souza disse que em Campo Grande só há um hospital que concorda em cuidar da saúde mental de presos encarcerados, o Nosso Lar. Contudo, segundo o magistrado, o estabelecimento não trata de pacientes que necessite da escolta policial.
Isto é, o hospital recusa a cuidar de detento que cumpre condenação em regime fechado. Gerardo afirmou que o Nosso Lar só trata de réus favorecidos com o regime semiaberto.
Ele informou ainda que o Ministério da Justiça não planeja agora construir manicômios judiciais, política que prejudica os presos doentes. Gerardo disse que já tentou por diversas vezes convencer os governos a mudar de idéia, mas não conseguiu.
Até hoje consegui transferir para um manicômio de outro Estado apenas três detentos, disse o juiz, há 17 anos na Vara de Execuções de Campo Grande. Hoje ao menos 4,5 mil detentos cumprem pena em Campo Grande.
O manicômio que aceitara os presos com transtornos psiquiátricos daqui fica no Rio de Janeiro, segundo o juiz.
Caso diferente
Já o réu com situação econômica boa, banca o tratamento que devia ser custeado pelos governos. Caso recente ocorrido em Campo Grande expõe um exemplo.
O procurador de Justiça afastado, Carlos Zeolla, que confessou ter matado o sobrinho a tiro, após uma crise emocional foi tirado da cela e hoje recebe tratamento médico numa clínica especializada, a Carandá.
Onde Zeolla é cuidado cobra-se R$ 250 a diária, ou R$ 7,5 mil mensais. A taxa pode ser negociada. Além do custo diário, o hospital cobra acréscimos pelos honorários médicos e pela compra de medicamentos.
Decisão judicial determinada pelo Tribunal de Justiça sul-mato-grossense, mandou o procurador ficar internado no hospital por tempo ainda não definido.
Fonte: CG News



