06/01/2018 16h09

PSC, Patriota, PSL... Bolsonaro é especialista em trair quem acredita nele

Por: Marcos Juliboni
 

*Você acreditou que Bolsonaro era um sujeito-homem de palavra e se lançaria pelo Patriota, porque não é frouxo como os outros? Que situação, hein? *

 
Sniper político: quando Bolsonaro vai acertar uma? (Divulgação/Página Oficial no Facebook) 

Sniper político: quando Bolsonaro vai acertar uma? (Divulgação/Página Oficial no Facebook)

Marcos Juliboni - Escreve sobre política e economia desde 2000. E ainda se espanta com isso!!!

Vamos ser simples: se Jair Bolsonaro, com seus 20% de intenções de voto e sua vice-liderança na corrida presidencial, fosse flor-que-se-cheira, não estaria na constrangedora situação de ainda não ter um partido definitivo para sustentar sua campanha. Antes que os fanáticos da seita da Sagrada Igreja do Bolsomito dos Dias Contados me atirem à fogueira, lembrem-se de que o ex-capitão não se filiou ao PSL (Partido Social-Liberal – ops! Tem "social" no nome, portanto, é comunista!!!), como os mais afoitos, desinformados ou desinformadores dizem. Bolsonaro limitou-se a assinar um termo de compromisso de filiação nos próximos meses. Para concretizá-lo, vai analisar quanto de espaço seus fiéis escudeiros receberão na legenda. Há, ainda, informações de que Bolsonaro não sossegou o facho e não descarta conversas com o PR. Parece familiar para você, patriota? Ah, sim, é um déjà-vu! Você acreditou que Bolsonaro se lançaria pelo Patriota, antigo PEN. Afinal, seu candidato é um "sujeito-homem de palavra, fala duro, põe o cassetete na mesa e não pipoca como outros frouxos". Que drama, hein, amigo?

Mas olha em que situação engraçada, esse camarada se meteu. De um lado, seu partido verdadeiro, o PSC (Partido Social Cristão – tem social no nome! Bolsonaro, ó céus, é de um partido comunista!!!!), ao qual é efetivamente filiado, não o quer mais. Seus dirigentes já anunciaram, inclusive, a intenção de lançar o atual presidente do BNDES, o economista Paulo Rabello de Castro, como candidato à presidência. Rabello, aliás, assumiu o figurino e já fala e age como presidenciável. Não deveria ser o contrário? Que partido, em sã consciência, abriria mão de alguém com tantas intenções de voto, tão bem colocado nas pesquisas, e com potencial para chegar ao segundo turno? Assim? Sem mais, nem menos? Rabello de Castro, frise-se, tem 1% de votos nas pesquisas. Qualquer cacique político carregaria Bolsonaro no colo para não perdê-lo, em vez de apostar numa missão suicida com um indigente político. Por que o PSC não o faz? Pense nisso...

Conversa fiada

De outro lado, o próprio Bolsonaro não consegue encontrar um rumo. Tudo bem, havia o PEN (Partido Ecológico Nacional), que correu para acolhê-lo. O presidente da legenda, Adilson Barroso, fez tudo e mais um pouco para que ele se sentisse em casa. Mudou o nome do partido para Patriota e comprou uma briga com o Patriotas (no plural), que está em processo de registro no TSE e o acusa de roubar o nome, ameaça processá-lo e não recebeu sequer um pedido de desculpas de Bolsonaro. Além disso, Barroso cedeu o comando de mais de 20 diretórios aos bolsonaristas, mudou o estatuto da agremiação para incorporar bandeiras historicamente defendidas pelo deputado federal, comprou briga com parlamentares eleitos pelo PEN, que foram à Justiça para evitar as alterações, e perdeu 20% de seus filiados. Mais paixão e compromisso com Bolsonaro do que isso, só casando. E quem resistiu a subir no altar? Ele mesmo: o próprio. Lembre-se de que, apesar de tudo, Bolsonaro limitou-se apenas a assinar um termo de compromisso, prometendo se transferir para o Patriota-PEN até março.

Nem te ligo

Sim, agora ele abandona Barroso no altar com cara de trouxa e com o buquê nas mãos, diante do todo o Brasil. Barroso, a propósito, deu uma declaração típica de quem se entregou de corpo e alma à promessa de casamento, ao afirmar que "desfigurou o próprio partido em nome de Bolsonaro" e, "até agora não recebeu nenhum telefonema como sinal de consideração." Na prática, ele descobriu que foi traído pela televisão. Como toda noiva abandonada, Barroso já praguejou em público, dizendo que não entende o que se passa na cabeça de seu noivo fujão (homens... bah!). Aliás, é curioso como Bolsonaro, um homofóbico assumido, adora usar metáforas de relacionamento para se referir às suas parcerias políticas (namoro, noivado, casamento). Revelador, diriam os psicanalistas..., mas voltemos ao tema: se isso não é tapear um partido, não sei o que é.

O roteiro agora se repete com o PSL, com o qual o deputado assinou outro termo de compromisso de filiação. E, como termo de compromisso não é filiação de fato, tudo pode mudar até as eleições. Bolsonaro, aliás, já causou uma ruptura familiar (logo ele, que tanto defende a família!!!). Sérgio Bivar, líder do Livres, deixou o PSL presidido pelo próprio pai, Luciano Bivar. Na carta de despedida, entre outras gentilezas, Sérgio afirma que "Bolsonaro é dotado de uma visão estatista, que surfa na demagogia." Não será surpresa, portanto, que o ex-militar mude novamente de ideia e abandone o PSL até agosto, quando termina o prazo para se inscrever na campanha. Para quem pretende arrumar o Brasil, Bolsonaro mostra-se incapaz de coisas bem mais prosaicas, como encontrar um partido, construir consensos e firmar alianças. Se esse é o estilo que levaria para o Planalto, é melhor "jair" se acostumando... às tragédias que virão.

 

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