19/10/2017 13h16

Outubro hipocritamente rosa

Por: Folha de Dourados
 
 
Taissa Leal Taissa Leal

(*) Taissa Leal

Eu segurei por muitos dias.

Tentei evitar o textão (juro).

Mas quando eu vi esse painel (abaixo) na entrada do HU, não aguentei...

Há pouco tempo estava passando pela prática da disciplina de Ginecologia e Obstetrícia. A gente estuda alguns casos clínicos de puérperas (mulheres que passaram por parto recentemente), acompanha alguns plantões e participa dos ambulatórios de mastologia.

A gente aprende na teoria que as mulheres deveriam fazer mamografia, a princípio anualmente (como rastreio), a partir dos 40 anos. Mas na prática, por determinação do Ministério da Saúde, as mamografias são realizadas bem mais tardiamente, via de regra a partir dos 50 anos (obviamente, para poupar gastos e por não conseguir suprir a demanda para cobrir uma faixa etária maior). A mamografia é o único exame utilizado como rastreio que (comprovadamente) resulta em redução de mortalidade por câncer de mama.

Todas as semanas, no ambulatório, são diagnosticadas mulheres com câncer de mama, em faixas etárias variadas e , infelizmente, em estágios variados da doença Para que esse diagnóstico aconteça, a paciente (que já passou por algum outro local de atendimento do SUS, e por algum "problema" foi encaminhada para lá) passa por uma consulta, é examinada e - quando ainda não realizou e caso seja necessário - são solicitados exames. Pois o problema, que deveria ser uma solução, são esses exames.

As mamografias em Dourados são realizadas APENAS no Centro de Atendimento à Mulher (CAM). O exame é composto por filme e laudo. Mas o que tem acontecido com muita frequência, é as pacientes aparecerem só com o laudo da mamografia.

O laudo traz a descrição do exame, e uma classificação (feita a partir do que foi observado por quem laudou), que auxilia na conduta que o médico deve adotar.

O problema é que é imprescindível a visualização do filme (e isso não é uma opinião pessoal minha e sim de especialistas excelentes que nós temos na cidade) por diversas razões... Para visualizar os achados e confirmar se eles correspondem ao que foi encontrado no exame, para determinar a confiabilidade ao observar se seguiu um padrão ao ser executado, e para que se possa fazer uma comparação com exames anteriores (e isso é de extrema importância).

Mas em Dourados as mulheres não estão recebendo os filmes. E pior ainda: quando solicitam o filme, ou o CD com as imagens, para que possam levar ao mastologista, recebem a negativa, sem nenhuma justificativa (e eu estou dizendo isso pq ouvi de dezenas de pacientes).

No HU também tem mamógrafo!

No HU também costumavam ser realizadas mamografias e ainda procedimentos que demandavam mamografia!

Mas aparentemente o aparelho está quebrado desde o início deste ano e, segundo informações, sem previsão de conserto, sob argumento de que não há recursos para arrumá-lo...

QUE OUTUBRO ROSA É ESSE?

Quantos casos de câncer de mama estão sendo diagnosticados tardiamente implicando em sofrimento terrível que poderia ter sido evitado ou amenizado?

A saúde da mulher está escancaradamente negligenciada nessa cidade! (assim como muitas outras áreas, como a saúde mental, mas isso fica pra outro textão...)

(*) Acadêmica da Faculdade de Medicina da UFGD

 

Envie seu Comentário

 

Notícias

Política
Esporte
Educação
Dourados
Estado&Região
Economia
Polícia
Geral
Meio Ambiente
Rural
Tecnologia
Brasil&Mundo
Cultura
Curiosidade
Entretenimento
Saúde
Turismo
Religião
Mídia
Ciências

Colunistas

Culturalmente Falando
Antenado
Enfoque
Consciência Cósmica
Gastronomia
Informe Vet
Falando de Cinema
Aniversariantes
Salada Mista
Waldir Guerra

+ Canais

Entrevistas
Charges
Vídeos
Eventos

Expediente

Sobre Nós
Anuncie
Trabalhe Conosco
Termos de Uso