13/02/2018 09h56

Trump e fake news: os detalhes da maior crise da história do Facebook

Por: Folha de Dourados
 
 
Mark Zuckerberg relutou, mas admitiu os erros de sua plataforma - Getty Images Mark Zuckerberg relutou, mas admitiu os erros de sua plataforma - Getty Images

Desde 2016, a empresa enfrenta problemas com sites de mídia, grupos radicais e o sensacionalismo incentivado por ela própria

O Facebook enfrenta seu maior momento de crise. Ainda que tenha alcançado a marca de 2 bilhões de usuários ativos e divulgue lucros recordes, desde 2016 a empresa e seu chefe Mark Zuckerberg tentam resolver seus maiores problemas: notícias falsas, manipulação de informação, agressividade e até críticas de ex-executivos sobre a forma como a rede social é feita para viciar seus usuários.

Todo esse período complicado foi descrito em uma longa matéria da Wired, focada em desvendar como o Facebook até agora conseguiu se manter de pé, mesmo sob constantes ataques.

Interferência humana

Tudo começa em fevereiro 2016, quando um memorando interno da empresa sobre o sistema de Trending Topics vazou. Ficou claro como o a seção não era inteiramente apoiado por algoritmos e sim por intervenção humana de uma equipe terceirizada de jornalistas. Na época, o país já dava sinais que mergulharia em um profundo racha político envolvendo as eleição presidenciais, que logo depois colocaram de um lado Donald Trump e Hillary Clinton.

A imprensa e uma série de setores conservadores do país questionaram possíveis inclinações democratas dos executivos da plataforma, acusando-os de manipulação.

A empresa, por outro lado, parecia incapaz de frear seu crescimento. Dois meses depois atingiria seu primeiro bilhão de usuários ativos, 100 milhões deles no Brasil. Mas muitos passaram a refutar a forma como a plataforma era construída e se de fato ela era isenta, como anunciava ao mundo.

O crescimento acelerado era um triunfo diante da estratégia da empresa de perceber rapidamente quem eram seus adversários e quais deles poderiam ser comprados. Quando as imagens se tornaram o item mais importante das redes sociais, Mark comprou o Instagram. O mesmo com o WhatsApp, quando as mensagens atingiram seu ápice.

Adversários sofreram de forma parecida. Em 2013, todos louvavam o Twitter por sua capacidade de transmitir notícias de forma rápida e a rede de microblogs passou a ser apontada como um risco pelo Facebook.

Nos dois anos seguintes, o Facebook passou a privilegiar o conteúdo de empresas de notícias, de forma que enviou mais tráfego para sites de mídia que o Google e o Twitter.

Mais recentemente, a Snap Inc. viu de perto a estratégia predatória do Facebook, que tentou comprar o Snapchat diversas vezes. Diante das recusas, copiou o formato de "snaps" e o inseriu em todas as suas plataformas — até alcançar o sucesso no Instagram Stories.

Eleições

Os problemas com a hoje extinta seção de Trending e as eleições de 2016 foram apenas o prenúncio de um problema muito maior e gigantesco. Como informa a matéria:

"A candidatura de Trump também provou ser uma ferramenta maravilhosa para uma nova classe de golpistas que publicam histórias virais e inteiramente falsas. (...) Notícias afirmaram que a ex-primeira-dama [Hillary Clinton] estava vendendo armas silenciosamente ao ISIS, e que um agente do FBI que suspeitou dos e-mails de Clinton foi encontrado morto. Algumas das postagens vieram de americanos partidários radicais. Outras vieram de agências de conteúdo do exterior que estavam preocupadas apenas em ganhar dólares de publicidade. No final da campanha, as principais histórias falsas na plataforma estavam gerando mais engajamento do que as melhores reais".

Mark Zuckerberg demorou a aceitar a veracidade da relação entre o Facebook e notícias falsas. Mas no início de 2017, assessorado por executivos, afirmou que a empresa precisava repensar a forma como agiu durante as eleições. Mark ainda criticou as "bolhas" dentro da plataforma e escreveu um manifesto a favor da globalização.

A mudança de postura, em parte, só ocorreu por pressão política.

Teorias da conspiração

O ano das eleições fez renascer também uma série de grupos de teóricos da conspiração: antivacina, terraplanistas, os "investigadores" do chamado Pizzagate. Eles sempre existiram, mas os algoritmos da rede social os uniram e oferecerem conteúdos similares para todos eles. Se alguém entrasse em busca de posts contra vacina, é bem provável que fosse bombardeado com publicações sobre todos estes assuntos.

Além disso, deu terreno ilimitado para as mentiras divulgadas por eles.

Não por acaso, críticas pesadas foram feitas ao algoritmo da plataforma nos dois últimos anos, que pode ser facilmente manipulado. A pior delas envolveu a atuação dos russos, que com pouco mais de R$ 330 mil foram capazes de atingir milhões de eleitores e mudar o curso das eleições.

O diretor de segurança da rede social, John Stamos, chegou a fazer um relatório detalhado sobre a atuação russa durante as eleições norte-americanas, mas outros executivos cortaram diversas partes importantes do informe.

"Eles [e equipe de segurança] conseguiram encontrar um conjunto de contas, financiado por um sombrio grupo russo chamado Internet Research Agency, que tinha sido criado para manipular a opinião política na América. Havia, por exemplo, uma página chamada Heart of Texas [Coração do Texas], que iniciou campanhas de separação do Estado. E havia [a página] Blacktivist, que publicou histórias sobre brutalidade policial contra homens e mulheres negros e teve mais seguidores do que a página verificada Black Lives Matter".

Segurança em primeiro lugar

A reação de Zuckerberg em dezembro, na reunião trimestral da empresa, foi dizer que "a empresa investiria tanto em segurança nos meses seguintes que ganharia significativamente menos dinheiro por um tempo", acrescentando que "a segurança de nossa comunidade é mais importante que maximizar lucros".

A matéria aponta que os problemas não cessaram — pelo contrário: parecem ter se intensificado. Analistas apontaram que o modelo econômico da empresa, focado em cliques, foi o grande responsável pela invasão do sensacionalismo que impera na mídia americana, responsável por "conteúdos questionáveis, divisivos e sem qualquer profundidade".

Hoje, os desafios da empresa parecem tão grandes quanto os que estouraram a crise. Como resposta, a plataforma lançou ferramentas contra o assédio, iniciativas contra notícias falsas,e de prevenção ao suicídio.

A Wired comenta que Zuckerberg parece legitimamente preocupado sobre as formas como as pessoas podem abusar da rede criada por ele, mas a pergunta permanece: será ele capaz de consertar os problemas gerados por sua criação?

 

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