05/11/2017 09h03

PSOL e a centralidade das lutas de classes

Por: Folha de Dourados
 
 
Enio Ribeiro de Oliveira Enio Ribeiro de Oliveira

(*) Enio Ribeiro de Oliveira

No último final de semana, 29/10/17, participei do 6º Congresso do Estadual do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Estado de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, oportunidade em que foram temas diversos: as eleições gerais (Presidente da República, Senadores, Deputados Federais e Estaduais) e os desafios que estão colocados para os partidos de esquerda e, de maneira muito especial, para o PSOL.

Apesar de este evento ter duração de apenas um dia – eu penso que deveria ter sido de pelo menos dois dias -, avalio que avançamos na formulação das políticas a serem postas em prática pelo PSOL em Mato Grosso do Sul. Fizemos um rico debate relacionados aos movimentos sociais indígenas, dos trabalhadores sem terra, pequena agricultura familiar, das mulheres e GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Travestis); sobre as eleições gerais de 2018, para as quais decidimos lançar candidaturas próprias para os cargos majoritários e sustentando um programa de governo radicalmente democrático e contrário a uma disputa eleitoral aliancista assentada na conciliação de classes, como infelizmente, tem sido a prática na atualidade de muitos partidos de esquerda.

No entanto, existe um aspecto a meu ver que, infelizmente, perdemos uma grande oportunidade de colocá-lo como estratégico e central para a inserção do PSOL nos movimentos sociais. Estou me referindo a centralidade da luta de classes no Século XXI.

Aliás, o Núcleo Popular do PSOL/Dourados, o primeiro núcleo do Partido criado em nosso município, está sistematizando todo o seu fazer, as suas articulações e suas formações políticas tendo a luta de classes, como tema central, qualquer que sejam as reflexões ou ações partidárias desenvolvidas. Por conta disso, as nossas formações políticas abordando os temas dos movimentos indígenas, LGBT, mulheres, agroecologia, etc, todas eles, sem exceção, são trabalhados na perspectiva de que para lograrem êxito pleno em seus objetivos, devem ser articulados problematizando a luta de classes e as contradições Capital X Trabalho, colocadas para a sociedade brasileira na atualidade, porque os conflitos e desafios destes movimentos sociais, se constituem em conformidade com estes dois aspectos.

Sou da opinião que estamos desafiados a sustentar um debate junto à sociedade douradense e sul-mato-grossense que se posicione de forma radical e contundente contra a onda conservadora, a qual, tenta convencer a sociedade brasileira de que as políticas neoliberais defensoras do estado mínimo, do fim das ideologias, do falso moralismo burguês – a escola sem partido e a não discussão de gênero nas escolas, são dois exemplos -, ridicularizadoras das preocupações com um desenvolvimento ecologicamente correto e autossustentável, etc. Evidentemente, só atingiremos tais objetivos, se partirmos da premissa de que somente colocando a centralidade da luta de classes, daremos consequência a ¨resolução das contradições¨ presentes na sociedade brasileira.

Impõe-se como imperioso o estudo do materialismo dialético e histórico aos militantes do PSOL, caso contrário, não conseguiremos mais do que formular políticas, que na melhor das hipóteses, lograrão com êxito, tão somente "administrar" em atendimento aos interesses do capital, isto é, assegurar a reprodução e acumulação ampliadas do capital. Temos que se apresentar como um Partido simultaneamente, combativo, classista, revolucionário e contestador da ordem burguesa.

Nós, militantes do PSOL, não podemos nos iludir de que a eleição para cargos nos poderes executivos (presidente da república, governadores e prefeitos) e legislativo (senado e câmara federal, assembleias legislativas e câmaras municipais), de membros do PSOL, nos assegura uma apropriação plena dos poderes político e econômico nos municípios, estados e união. Precisamos, para darmos consequências ao nosso programa partidário, compreender de uma vez por todas que a conquista dos poderes mencionados, requer que estejamos legitimados, inseridos e em total cumplicidade com e junto a classe trabalhadora. Exige o entendimento de que as transformações sociais no Brasil resultaram e resultarão da "resolução da luta de classes". Somente desta forma quebraremos a hegemonia burguesa e teremos o Brasil como uma verdadeira pátria dos trabalhadores.

(*) Professor de geografia da rede estadual de ensino; Membro do Diretório Estadual do PSOL/MS; Mestre em Ciência e Tecnologia da Educação; Universidad Ténica de Comercializacion y Desarrolo (Filial: Pedro Juan Caballero – PY)

 

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