30/12/2018 17h28

Quem ganha com a existência de grupos terroristas no Brasil?

Por: Folha de Dourados
 
 
Renato Rovai Renato Rovai

Um novo Rio Centro pode estar sendo armado? Não é fácil responder isso e nem há elementos ainda para tal. Mas é importante que se registre que já houve um Rio Centro no Brasil. Um ato terrorista armado pelo governo ditatorial

(*)Renato Rovai, na Revista Forum

Uma reportagem de hoje do site Metrópoles relata a conversa de um repórter com uma pessoa que se diz integrante de um grupo terrorista no Brasil. Esse integrante assume como ações do grupo a tentativa de ataque a uma igreja em Brazlândia, no DF, que poderia ter matado várias pessoas.

Há um cheiro de pólvora e de farsa no ar. Desde já adianto que não atribuo o odor nem ao repórter e nem ao veículo, mas diria que forças ocultas, como registrou Jânio Quadros em seu discurso de renúncia, podem estar operando.

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Em negócios ou em política uma boa pergunta a se fazer quando algo acontece é a quem interessa.

Se empresas brasileiras do ramo de carnes e embutidos estão sob forte investigação, vale perguntar, quem ganha com isso?

Da mesma forma se for uma empresa nacional do ramo de petróleo e derivados.

E mais vale ainda o questionamento se interesses políticos de monta estiverem por trás.

A quem interessa neste momento a existência de grupos terroristas no Brasil? Eu arriscaria dizer que este é o desejo dos sonhos do governo Bolsonaro. Porque num momento em que ele tiver terroristas para combater, muitos do que só farão oposição democrática ao seu governo poderão ser assim classificados. Muito mais dinheiro para as Forças Armadas e aparelhos de segurança ele poderá destinar.

Bolsonaro já chamou MST, MTST, CUT e outras instituições sérias de grupos terroristas. Já falou em eliminar a petralhada e mandar adversários para a Ponta da Praia, centro de tortura da ditadura. E desde sua vitória vários líderes desses movimentos já foram assassinados. Aumentou a violência contra eles em especial no campo. Onde parece ter havido uma licença para matar aqueles que se opõe ao trabalho escravo, à grilagem e ao desmatamento.

A denúncia de terrorismo na posse de Bolsonaro e a forma como a imprensa foi excluída do evento é algo que precisa ser anotado. Da mesma forma a maneira como está sendo armado um circo de segurança nunca visto na história das posses.

Um novo Rio Centro pode estar sendo armado? Não é fácil responder isso e nem há elementos ainda para tal. Mas é importante que se registre que já houve um Rio Centro no Brasil. Um ato terrorista armado pelo governo ditatorial.

Não deve ser na posse, mas quem sabe ali na frente. Regimes de força precisam de inimigos que usem a força. Se eles não existem, que alguém os crie.

Se não for isso, que se investiguem logo os loucos que estão por trás dessa ação e que eles sejam devidamente julgados por seus atos de ameaça. Que sejam céleres na investigação. E que não se dê a eles a moleza que está sendo dada ao tal Queiroz, que já adiou seu depoimento ao MP quatro vezes. E que não se esconda o sujeito como estão escondendo Adélio Bispo de Oliveira.

(*) Graduado em Jornalismo na Universidade Metodista, no ABC. Trabalhou em diversos jornais e veículos de comunicação, como o Diário do Grande ABC, Diário de Minas, Diário Popular, TV Gazeta e Editora Globo. Em 1994 criou a Editora Publisher Brasil, empresa da qual é sócio-diretor. Em 2001, no primeiro Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, lançou a Revista Fórum. A publicação foi impressa, mensal e vendida em bancas até dezembro de 2013. Desde 2014 é digital, tendo se tornado um dos principais produtos de informação independente no Brasil e uma das maiores audiências da internet. Na Fórum, mantém o Blog do Rovai, onde publica análises políticas. É mestre em Comunicação pela Universidade de São Paulo e doutor pela Universidade Federal do ABC. Entre outros livros, é autor de "Midiático poder – o caso Venezuela e a guerrilha informativa" e organizador e autor da obra "Golpe 16", que reuniu jornalistas e blogueiros brasileiros. Lecionou em diversas universidades, como Santa Cecília, Cásper Líbero e ECA/USP.

 

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