10/11/2017 07h18

O retrocesso da PEC do aborto e a apatia dos movimentos feministas

Por: Folha de Dourados
 
 
 
Deputados na votação da PEC 181
Deputados na votação da PEC 181

(*) Nathalí Macedo

Na última quarta-feira uma comissão composta por dezoito homens decidiu tornar crime o aborto em todos os casos, inclusive em caso de estupro.

Para mim, infelizmente, não é nenhum espanto me dar conta de que no século XXI homens estão decidindo acerca de direitos personalíssimos das mulheres e não há, dentre os políticos do meu país, uma mulher de grelo duro o suficiente para levantar-se eficientemente contra isso.

A natureza patriarcal do Congresso brasileiro já não é novidade; tampouco a onda conservadora que se alastra pelo mundo inteiro tem passado despercebida.

O fato é que, pelo andar da carruagem, as minorias são o que menos importam no Brasil das malas de dinheiro do apartamento de Geddel.

A questão não é apenas de gênero: a aprovação da PEC 181/2011 matará mulheres pretas e pobres – pois as ricas abortam e sempre abortaram em clínicas clandestinas e seguiram suas vidas porque decidiram que não era uma boa hora – porque talvez, para elas, nunca fosse uma boa hora – para maternidade.

No mundo ideal, nenhuma mulher precisaria ter dinheiro ou privilégios sociais para ter garantidos esses direitos. No mundo real – o terrível mundo real – dezoito homens decidem continuar nos matando, e os movimentos feministas e de esquerda permanecem apáticos e centrados em questões absolutamente irrelevantes, como o "Oi, pessoal que tem útero!" da Jout Jout.

A canalhice de um Congresso de homens brancos nos violenta, mas nos violenta também a nossa própria desorganização enquanto movimento de mulheres: nos violentamos quando nos dividimos em castas, quando discutimos questões banais enquanto questões sérias pairam em nossa indiferença, nos violentamos quando não construímos um movimento que tenha eficácia para além da academia e das timelines.

Sim, eles querem nos matar: e o pior é que a gente não consegue reagir.

(*) Escritora, roteirista, militante feminista, mestranda em Cultura e Arte. Canta blues nas horas vagas

 

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