25/11/2017 17h06

Laís Bodanzky: 'As mulheres não aceitam mais ser tratadas com minoria'

Por: Folha de Dourados
 
 
Wanezza Soares | Divulgação Wanezza Soares | Divulgação

Em entrevista à TV 247, a diretora de Bicho de Sete Cabeças e Como Nossos Pais, filme mais premiado em Gramado neste ano, destaca o papel da mulher na sociedade e também na indústria do audiovisual, onde apenas 17% ocupam cargos de direção e roteiro; "Metade do planeta se comporta como minoria porque ela se sente como minoria. Mas agora não se sente mais", diz; para Laís, "a forma como a Dilma foi tratada como presidenta foi desigual"; a cineasta paulistana critica os "retrocessos" da gestão João Doria e acredita que Lula irá vencer em 2018; "O Lula é um líder que não sei quando vai nascer outro igual. O que ele fez durante esses governos do PT é muito difícil tirar", declara; assista à íntegra

Diretora de "Como Nossos Pais", filme elogiado em Berlim, onde estreou, vencedor em Paris e o mais premiado no consagrado Festival de Gramado, no Rio Grande do Sul, em 2017, Laís Bodanzky contou em entrevista à TV 247 um pouco dos bastidores da produção do longa e do roteiro, feito em parceria com Luiz Bolognesi.

Apesar de o título do filme ter surgido antes de tudo, e vir da música de Belchior, consagrada na voz de Elis Regina, Laís diz que a letra não é o filme. "Eu acho que nós somos os mesmos e vivemos como nossos pais, e também não somos os mesmos, também é o oposto disso. De uma geração para a outra, você passa o bastão. Mas nem sempre significa que a outra geração que está vindo pega esse bastão", explica.

Ela concorda que o momento atual da sociedade, de mais voz e força das mulheres, pede um filme como esse, com discursos colocados propositalmente, segundo ela, na boca da personagem Rosa (Maria Ribeiro), uma mulher que tenta ser a filha e a mãe exemplar, sonha em ser dramaturga e passa por um momento de revelações bombásticas na vida, como a notícia de que não é filha do homem que sempre considerou seu pai. "Eu tinha consciência que eu queria falar sobre isso", relata.

Na conversa com os jornalistas Gisele Federicce e Paulo Moreira Leite, a diretora fala também sobre o papel da mulher na indústria do audiovisual – apenas 17% dos cargos que colocam o discurso no cinema, diretoras e roteiristas, são ocupados hoje por mulheres, e zero por cento por mulheres negras – e afirma ser favorável a ações afirmativas como cotas para "corrigir as desigualdades".

"Metade do planeta se comporta como minoria porque ela se sente como minoria. Mas agora não se sente mais", avalia, destacando uma "mudança importante" que vem acontecendo e que é positiva para a "sociedade como um todo". As mulheres não aceitam mais, por exemplo, serem assediadas sexualmente, lembra a cineasta, citando casos recentes que ganharam destaque na mídia, como do ator Kevin Spacey e do produtor de Hollywood Harvey Weinstein, além do ator José Mayer, da Globo, no Brasil.

Para Laís, "a forma como a Dilma foi tratada como presidenta foi desigual". "Tenho certeza absoluta. É muito mais difícil uma mulher ser respeitada por aquele Congresso, que fala que a mulher não tem direito ao aborto mesmo estuprada, uma visão nada humanista", analisa. Ela também critica o governo de João Doria em São Paulo, onde vê uma "quantidade de retrocessos em tão pouco tempo", e elogia a gestão de Fernando Haddad, um prefeito que, para ela, colocou a cidade em destaque no mundo.

Na esfera nacional, também faz elogios ao ex-presidente Lula e acredita que ele ganha em 2018. "Se não matarem o Lula, como a revista está querendo dizer que vão matar, e pode matar mesmo", disse, em referência à IstoÉ, "ele ganha. Todas as pesquisas dizem isso". "O Lula é um líder que não sei quando vai nascer outro igual. Ele é muito especial. Ele não só tem carisma, mas uma facilidade de traduzir questões complexas. Com nós, brasileiros, ele fala com todas as camadas com muita clareza e humor".

"A gente tem um ranço acadêmica de que só quem sabe, só quem tem o direito de estar no poder é quem tem o poder do conhecimento formal. E esse conhecimento formal, ele vai até a página dois. Se você não conhece na prática, não põe a mão na massa, não adianta a teoria. Eu acho que o Lula, ele tem o conhecimento formal, apesar de as pessoas acharem que não, que é preconceito, só que ele tem a mão na massa. Essa é a grande diferença. O que ele fez durante esses governos do PT é muito difícil tirar. São gerações que cresceram que sabem que elas têm direito, que têm voz", diz ainda.

Sobre a indústria do audiovisual, Laís conta que a nacional é comparada, em tamanho, com a têxtil e a farmacêutica. Ela elogia a cota de conteúdo nacional exigida para as TVs por assinatura e defende que essa mesma cota seja levada para as plataformas de video on demand (como Netflix ou Now, oferecido pela operadora NET), uma plataforma nova que ainda não está regulamentada "e precisa, com urgência", ressalta.

Em setembro deste ano, o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, vetou a proposta da Ancine de estabelecer uma cota de 20% de conteúdo nacional nas plataformas de VOD (video on demand), argumentando que os serviços on demand são novos no País e a imposição restringiria seu desenvolvimento.

"Temos que defender a nossa indústria no Brasil porque a gente gera emprego, gera economia, e é uma economia que exporta um país, um conceito, nos apresenta para o resto do mundo. Você passa a existir", defende a cineasta. Assista abaixo à íntegra da entrevista:

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