08/06/2018 09h27

Influência das paradas LGBT+ na sociedade

Por: Folha de Dourados
 
 
Luan Ramos da Silva Luan Ramos da Silva

(*) Por Luan Ramos da Silva

Gay, negro e pobre. Pertencente a estas três minorias, a única coisa que me resta é estudar, trabalhar e lutar para não ser massacrado pela sociedade. E assim que sempre levei minha vida.

Durante a graduação, me inscrevi para fazer um intercâmbio, porém não tinha a menor noção do local em que poderia ir. Foi então que nas últimas etapas do processo, recebo o tão esperado e-mail, que informa tanto a aprovação, quanto o local em que iria morar pelos próximos 18 meses: Moscow, Idaho, EUA. No primeiro momento foi um grande impacto, afinal de acordo com minha geografia, Moscow era uma cidade na Rússia e não nos EUA. Então era melhor pedir ajuda ao tio Google para descobrir mais sobre este local.

Moscow é uma pequena cidade do estado de Idaho, com cerca de 23.000 habitantes, sendo que destes aproximadamente 12.000 são estudantes da University of Idaho (UofI). É um lugar muito agradável de se morar, com pessoas gentis e calmas, além das diversas belezas naturais pela cidade e redondeza, garantindo à UofI o 32º lugar no ranking dos mais belos campus em áreas rurais dos EUA. É um lugar encantador, que te conquista a cada dia (principalmente na mudança das estações), e depois de um tempo você acaba se apaixonando.

 


Apesar de todo o encantamento que o lugar propicia, ainda é uma cidade muito pequena e que além das população local, também conta com pessoas provenientes de diversos países ao redor do mundo (China, Arábia Saudita, Japão, Austrália, Inglaterra, Alemanha, Brasil e diversos outros). Assim, nossos enfrentamentos como população LGBT+ são constantes, visto que alguns países ainda não aceitam que nós somos apenas pessoas. Por vezes, percebi olhares ou até distanciamento de pessoas de outras culturas, que não entendiam a minha condição. Para aqueles mais flexíveis, aproveitava da oportunidade para conversar e explicar assuntos relacionados à homossexualidade.

Foi então que em agosto de 2014, descobri que haveria o Palouse Pride Festival, no East City Park. Convidei meus amigos e lá fomos. Pensávamos que seria um evento com pouca adesão pela população, mas isso foi o mais surpreendente para nós. Ali estava o parque cheio de pessoas, crianças, jovens, estudantes, trabalhadores, idosos, famílias inteiras, todos ali, sentados na grama, com seus banquinhos/cadeiras, aproveitando a programação do evento e compartilhando aquela tarde agradável com família e amigos.

 

O Festival contou com show de drags, apresentações culturais, barracas com artesanatos, alimentos e brincadeiras, além de diversas outras atividades capazes de interagir a comunidade. O evento em questão contou com a organização do Inland Oasis, uma organização criada e apoiada por voluntários, que têm como missão dar condução e suporte educacional a toda a comunidade LGBT+ presente na região central norte de Idaho e sudeste de Washington.

Vale destacar que neste mesmo ano, o casamento entre pessoas do mesmo sexo se tornou legal naquele estado conservador. Porém, é possível demitir um trabalhador(a) pelo simples fato da pessoa ser LGBT+. Além de ainda não haver leis capazes de proteger esta comunidade contra homofobia.

Baseado no conservadorismo do estado, bem como na diversidade cultural presente naquela linda cidadezinha, estes eventos são capazes de desmitificar os conceitos errados que as pessoas tem de nós, os LGBTs, além de mostrar à comunidade em geral que somos LGBTs orgulhosos de quem somos e que mesmo com tanta repressão, não ficaremos calados e vamos sim atrás de nossos direitos.

A participação em eventos com a temática do orgulho LGBT+ foi capaz de ampliar meus pensamentos, quebrar paradigmas e me dar forças para enfrentar a sociedade. Me ajudou muito na construção da pessoa que sou hoje, capaz de ir atrás dos meus sonhos e me amar a cada dia mais.

Levando em conta os aspectos que foram expostos, as paradas LGBT+, foram capazes de influenciar de forma positiva no aumento da visibilidade desta população, permitindo que hoje estes indivíduos sejam capazes de se apresentar/estar em todos os segmentos da sociedade, além da contribuição em garantir que sejamos vistos pelas pessoas e pela lei simplesmente como pessoas.

(*) O presente texto faz parte de um conjunto de atividades planejadas para a Parada do Orgulho LGBT+ de Dourados-MS que ocorrerá no dia 30 de junho de 2018 (https://www.facebook.com/events/2061648017450329/). Convidamos pessoas comprometidas com a vida da população LGBT+ douradense a escreverem textos jornalísticos acerca das lutas dessa população. Agradecemos, em especial, a todas as pessoas que, gentilmente, cederam seus textos e ao Jornal Folha de Dourados que se disponibilizou a publicá-los. O texto de hoje foi escrito por Luan Ramos que é estudante do curso de mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, na Faculdade de Engenharia (FAEN), da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), integrante do grupo de pesquisa Embalagens e Alimentos Funcionais (MFBiopack/UFGD) e membro do Coletivo da Parada do Orgulho LGBT+ de Dourados. Possui graduação em Engenharia de Alimentos, pela UFGD, com período sanduíche na University of Idaho (Moscow/Idaho/USA) pelo programa Ciência Sem Fronteiras (CAPES/CNPq). Tem experiência na área de Análises de Alimentos, Tecnologia de Alimentos de Origem Vegetal e Alimentos Funcionais.

 

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