20/10/2018 08h42

Entre o caminho para o regresso e uma duvidosa via para a mudança

Por: Folha de Dourados
 
 
Victor Teixeira Victor Teixeira

Por Victor Teixeira, colaborador

Jair Bolsonaro e Fernando Haddad disputaram a maior parte dos votos, sem ter nenhum alcançado uma plena maioria frente ao outro e os candidatos minoritários. Votos para impedir a volta do PT e corrigir com uma precaução que angarie suporte popular as nódoas deixadas pelo longo domínio do movimento na sociedade e nas instituições universalmente indispensáveis a ela não disponibilizaram-se em nível suficiente para nos guiar adiante de modo que suplantemos esse cenário de enganação e contenda.

Graças a um esperto uso de sua obrigatoriedade para quem não atende aos requisitos físicos e psíquicos para uma dispensa oficialmente consentida, a mobilização popular fora dos padrões costumeiros para o dia da semana em que ocorreu abre caminho para uma incrivelmente nova feição da identidade de ocupantes de cadeiras na Câmara e sobretudo no Senado e da representatividade dos partidos a que os congressistas estão filiados. Manejadas por todo o povo, as urnas estipularam mesmo para caciques o retorno para junto dos demais índios, compreendendo estes tanto os reconhecidos como tal quanto a todo outro brasileiro nato dotado de parentesco ao menos genético com os nativos. O PT ainda lidera na quantidade de eleitos na Câmara, mas o PSL de Bolsonaro foi capaz de crescer até adquirir o domínio numérico da oposição. De inúmeros célebres e pequenos grêmios apoiantes e opositores da sigla empenhada em retomar a chefia de Estado a intenção de sufrágio assim deslocou-se, fechando a torneira do fundo partidário para aqueles com um paupérrimo desempenho.

Pois bem, já está programada para o momento de transição de ano a varrição de muita velharia incapaz de moldar suas perspectivas de mundo à trajetória nacional e mundial das interações políticas, mercantis e sociais. Convém, contudo, entre os marinheiros de primeira viagem do ofício legislativo fazer jus à esperança a ser depositada sobre eles de barrarem ao máximo que puderem hostilidades contra a independência das instituições burocráticas e sociais e a harmonia entre elas por parte das bancadas parlamentares e dos movimentos populares leais tanto ao presidenciável que finalmente ganhar o controle sobre o país quanto ao que tiver a chance negada.

Na realidade governamental prática, o PT tem o chão para sua caminhada visando o retorno nos fracassos do inicialmente exitoso governo substituto de Dilma relacionados à inércia de Temer na desativação do sistema economicamente concentrador dos poderes decisórios e avesso à segregação entre interesses particulares e oficiais de que se valeram Dilma, Lula e quem mais quisesse. Fernando Haddad é quem conduz a membresia e militância partidárias e tantos componentes quanto for possível dos setores sociais vulneráveis a jugos desiguais rumo a lugar nenhum do qual dê para alcançar progressos éticos no sistema institucional e mercantil que qualquer um possa sentir. Seria ingênuo também deixar passar despercebida a filiação da vice Manuela D'Ávila a um partido explicitamente adepto de uma filosofia já consagrada pela história como anti-humana sob o arrego dos resultados mortíferos de sua implantação tentada ou exitosa em inúmeros pontos do globo cujas populações tiveram suas particularidades subvertidas para o bem de uma humanidade perfeita.

A primeira fase do pleito presidencial com multiplicidade de opções eliminaria de modo muito preciso na direção de nossos anseios por um futuro evoluído a necessidade de nos ser obrigada a escolha definitiva do chefe de Estado federal no dia 28 se as demonstrações de antipetismo tivessem se concentrado em votos para Álvaro Dias ou João Amoêdo. Ambos tinham a disposição para, se qualquer um deles alcançasse o comando da República, manter a serventia do Estado a interesses comuns inegociáveis ordenando as prioridades para aplicação do dinheiro público a fim de que se ponha ao dispor de quem tem esses anseios sem que se burle ou revogue o teto de gastos necessário ao alivio dos impactos de crônico desperdício.

O mesmo tipo de promessas tem sustentado o favoritismo de Bolsonaro, partilhando a responsabilidade pelo fenômeno com propostas permissivas à autodefesa contra bandidos e a resistência à cada vez menos prudente abordagem social da sexualidade. Dada a natureza, para além de política, cultural de massa de ineficiências na cooperação entre indivíduos e instituições sociais, muitos eleitores do restante opositor do retorno do antigo regime, porém, peitam o legado das forças inimigas numa desproporçáo com más repercussões sociais válidas para os regressistas como ingrediente de sua fórmula para um novo triunfo a ser misturado aos discursos e atitudes impetuosas de que o representante do PSL está se distanciando. Justo a Bolsonaro as pesquisas eleitorais apontam como vencedor e, tendo por complemento a onda de crimes eleitorais e contra a integridade e a vida de quem pensa diferente executados em seu nome, vulnerabilizam a aversão retórica dele a essa falida presente conjuntura política e social a definitivos testes de isonomia e precisão perante os alvos quando for trazida à prática.

A vida ceifada do mestre de capoeira em Salvador e a de demais cidadãos contrários a Bolsonaro ameaçada por menores agressões têm, como regra geral para a humanidade, importância sentimental para as pessoas próximas às vítimas, assimilada ainda pelos supostos porta-bandeiras da justiça social engajados no regresso ao pleno poder da confraria relutante em brindar as camadas populares visadas por ela com auxílios materiais e cognitivos em amplitude suficiente para os desvalidos atingirem um estágio de iluminação fávorável a um pacto com os outros brasileiros já interessados em rechaçar tal associação por causa de seus desmandos éticos benevolentes a si e quaisquer outros grupos restritos, enquanto desvantajosos à sociedade toda. Um mérito penal igualmente paira sobre os obcecados por uma reviravolta no comando do Planalto a ponto de pisar o regulamento para a privacidade e segurança da votação fotografando suas armas sobre as urnas ou filmando evidências de configuração fraudulenta delas. Malgrado as falhas com capcidades preocupantes em inúmeros aparelhos pelo território nacional, as urnas eletrônicas deram ao primeiro turno um resultado aquém do que algum dos lados beligerantes conseguiriam alterando o número de votos em cédulas de papel focados em ambos. Foi atestada a dominância influenciadora das chances de êxitos pelo caráter de nós que escolhemos os representantes e de quem promove as apurações que nomeiam os vencedores, independentemente dos recursos materiais, com os ataques vandálicos cometidos no sul do país por duas pessoas com desequilíbrios mentais não coligados à simpatia por um certo candidato – o homem que deu com uma marreta em uma urna em Morro da Fumaça (SC) e a mulher que sujou um dispositivo com sangue menstrual e atirou outro ao chão em Ibiporã (PR) –, que não arruinaram os registros de cumprimento do dever eleitoral de quem havia usado os aparatos. Diante tanto de investidas sem motivo inteligível como essas quanto de ofensivas intencionais de movimentos partidários e autoridades eleitorais que conseguirem co-optar, a confiabilidade dos brasileiros habilitados a decidir quem os governa sobre esta prerrogativa se encaminharia a uma mais ousada crise.

As interações entre os atores políticos federais em marcha desde pouco mais de uma década embasaram a espetacular, embora tardia, decisão de grande parte dos bons cidadãos acerca da força motriz do esquema, incluindo a parte ainda restante ao PT. Mas as irracionalidades que a razão permite observar na única opção que sobra para a renovação da chefia do país e em muitos dos que realmente acreditam nela e mostrarão isso no dia 28 fragilizam em benefício aos nostálgicos do lulismo a luta por uma digna recomposição no ordenamento político, econômico e social também defendida pelo emergente movimento.

 

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