05/01/2018 08h56

Doria jogou do alto do Viaduto Marisa Letícia o que restava de sua dignidade

Por: Folha de Dourados
 
 
Doria depois de um botox rápido Doria depois de um botox rápido

Nathalí Macedo - Escritora, roteirista, militante feminista, mestranda em Cultura e Arte. Canta blues nas horas vagas

O ex-presidente Lula – o político e a persona – é assunto entre todos os brasileiros. Os do tipo apoiadores de Bolsonaro torcem para que tenha uma morte lenta e dolorosa.

Os direitistas menos autoritários contentem-se com prisão perpétua, desde que sem qualquer regalia, porque petista safado tem mais é que sofrer.

Os esquerdistas mais eufóricos veneram-no, especialmente quando ele aparece na internet dando uma sarrada no ar. Os que desistiram de pensar e fazer política brasileira – sábios, dadas as circunstâncias – querem apenas justiça, embora dificilmente saibam o que significa.

O fato é que a perseguição a Lula – que é a perseguição ao PT condensada em uma figura – é unânime: bolsonaristas, direitistas liberais e (especialmente) esquerdistas eufóricos reconhecem que a justiça não é para todos – a justiça, na verdade, há muito não dá as caras.

O jogo de pega-pega parece recreio de oitava série.

Exemplos: exigiram condução coercitiva de alguém que não apresentava risco de fuga ou reação violenta, e chamaram a imprensa pra assistir: o grande espetáculo na arena da política brasileira.

Antipetistas, exaltados, gozaram. Não satisfeitos, a audiência de oitiva do ex-presidente foi marcada – por acaso, é claro – no dia do aniversário da morte de sua esposa. Ninguém tem prova, mas sobra-lhes convicção – uma odiosa convicção.

O ódio ao PT, especialmente na classe média, é tão absurdo que beira o patético: de bonecos infláveis com roupa de presidiário à foto de uma mulher de pernas abertas em um tanque de gasolina, vale tudo.

João Doria, o social media que faz bico como prefeito de SP, surfou na onda do ódio: informou à imprensa – Dória realmente adora a imprensa – que considera "injusta" a homenagem feita à ex-primeira dama e militante Marisa Letícia com a nomeação de um viaduto em SP.

As mulheres lideradas por Marisa em 1980, se, com sorte, estiverem vivas, decerto discordam. Discordam as pessoas que não comungam do ódio gratuito a um partido que cometeu e comete erros, mas não será apagado da história.

Injusto é que um político use mais de seu tempo fazendo autopromoção do que política.

Injusto é que usuários de crack sejam tratados como escória, e não como seres humanos que estão doentes e precisam de ajuda.

Injusto é que se tenha, no Brasil, gente que brinca de política e enche os bolsos de dinheiro.

Mas nada disso interessa ao Doria, se estiverem intactos os seus likes.

 

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