03/08/2018 10h23

Corações e Mentes: Super-heróis, a luta LGBTIQ+ e a cultura Nerd

Por: Folha de Dourados
 
 
Alcimar Queiroz
Alcimar Queiroz

Por Alcimar Queiroz

Com a produção em alta de filmes de super-heróis que temos visto ultimamente nos cinemas, faz todo sentido aproveitarmos a oportunidade dos eventos ligados à Parada do Orgulho LGBTIQ+ de Dourados para dizer que a fonte de personagens como Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Wolverine, Viúva-Negra, Capitão América, todos os mutantes X-Men etc. — tão conhecidos das plateias de todas as idades — está lado a lado com a diversidade sexual, pois importantes personagens com diversidade de orientação sexual e identidade de gênero estão ligados a esses famosos super-heróis. As revistas em quadrinhos para o público infantil e o jovens-adultos, mais precisamente as duas empresas mainstream, a Marvel Comics e a DC Comics, as maiores e mais importantes indústrias produtoras de cultura pop gráfica do mundo, e, junto com seus estúdios, também do audiovisual, são responsáveis por vários dos filmes mais lucrativos da história do cinema, como Vingadores, Pantera Negra, Mulher-Maravilha e Homem-de-Ferro. Para nós, é questão de tempo para que a DC e a Marvel apresentem em seus filmes, voltados para o grande público, os incríveis personagens LGBTI+ que possuem. Portanto, este artigo tem pretensões proféticas e adivinhatórias: queremos antever personagens LGBTI+ a serem introduzidos nos filmes de super-heróis! Quando será que vamos ter personagem gay, lésbica, bissexual, travesti, transexual, intersexual ou simplesmente queer ou gênero fluido na próxima produção blockbuster de cinema?

Quem acompanha os quadrinhos atuais sabe que personagens que já apareceram na telona do cinema são LGBTI+. Por exemplo, lembra-se do Loki, personagem do filme Thor (2015) e irmão do protagonista? Ele é bissexual. O mesmo se pode dizer de Deadpool (2015). A Mulher-Gato, personagem sexy, que antagoniza com o Batman e é vivida por Michele Pfeiffer, vestida de couro preto, costurado a mão na versão desse filme de 1992? Ela é bissexual também. A Valquíria, que apareceu em Thor: Ragnarok (2016), é lésbica. O Homem de Gelo, dos X-Men (2000) acabou de sair do armário nos quadrinhos, e está namorando um rapaz, se assumindo como gay, enquanto a Mística — todo nerd sabe disso — fica com mulheres e homens desde que foi criada na Marvel no fim dos anos 70, tendo, inclusive, vivido seu grande e inesquecível amor com Sina, a mutante cega que vê o futuro, com quem criou e educou a personagem Vampira, formando uma família homoparental e mutante por vários anos.

Nas histórias-em-quadrinhos, o Wolverine tem um filho chamado Daken, que se perdeu da família ainda bebê e, por ter sido criado por um grupo mafioso, torna-se um anti-herói. Ele tem vários problemas de comportamento e uma incapacidade de formar relações amorosas duradouras, aspecto que herdou de seu pai, junto com os poderes mutantes, os quais são, inclusive, quase idênticos, incluindo garras e regeneração. Daken também é bissexual, e alterna homens e mulheres em seus romances, tendo já seduzido, entre outros, o Gavião Arqueiro, aquele amigo da Viúva-Negra, que atua com os Vingadores. E há tantos mais personagens a falar que nem temos espaço e tempo aqui…

Depois de sucessos cinematográficos com filmes de temática de diversidade como Mulher Maravilha (2017) — com a questão da mulher como protagonista — e Pantera Negra (2018) — trazendo a temática racial em sua produção e elenco — a diversidade racial e as questões do feminino passam a ser discutidas e representadas no cenário da cultura pop para jovens adultos. Antevemos, assim, personagens LGBTI+ nesses filmes. E para breve. Há uma produção da Netflix, por exemplo, em que já vemos a filha mais velha do mutante Raio Negro (2017), chamada Trovão, que une ambas diversidades, pois é negra e lésbica: a não se perder, sintonize!

Qualquer professor informado sabe que séries de TV, filmes de ação para público de jovens adultos e as histórias-em-quadrinho, sendo bem usados, pode educar tanto a mente de quem sobre ele reflete e pensa, quanto o coração de quem a eles é exposto. Nesse sentido, é de destaque o fato de que a figura feminina mais importante de todos os tempos nos quadrinhos, A Mulher Maravilha, representando os sonhos de meninas de várias gerações, para quem foi a primeira super-heroína a se espelhar e se fazer representada, assim como a primeira revista-em-quadrinhos a ensinar conceitos do empoderamento feminino, para meninos e meninas, em escala global. Devemos nos lembrar que vivemos um recente aparecimento de personagens femininas heroicas no cinema — como a Lara Croft de Tomb Raider (2018), a Katnis de Jogos Vorazes (2013), a Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria (2016), a noiva de Kill Bill (2003) e a Rey de Star Wars: O Despertar da Força (2017) — e, também, nas séries televisivas — Supergirl (2016), Agente Carter (2015) e Jessica Jones (2015) — podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que já não cabe, hoje em dia, a donzela em perigo, a ser salva pelo homem branco, cisgênero, heterossexual, cristão, forte, soberbo e galã. A nova protagonista de cinema voltado para o público de jovens adultos já sabe muito bem se aventurar na selva e pular de aviões em pleno voo, pode seguir mapas do tesouro e descobrir complicados e intrincados soluções de mistérios que antes eram reservados somente aos homens, que só deveriam proteger e acalmar a mocinha do filme ou da série.

Sabendo que personagens LGBTI+ existem aos montes nas histórias-em-quadrinhos, como os célebres Apollo e Midnighter, criados nos fins dos anos 90 e que representam o mais querido casal gay entre os super-heróis da DC Comics, lembramos um caso bem falado ultimamente, com destaque, claro, para o primeiro X-Men a sair do armário, o Estrela Polar, que se casou em 2013 com seu namorado, no maior evento LGBTI+ super-heróico de todos os tempos. Junto com a Batwoman — importante colega de ação nos quadrinhos do Cavaleiro das Trevas e versão feminina do Batman, que já apareceu em animação e pode aparecer no cinema —, podemos dizer que a representatividade lésbica está em alta na DC Comics, pois a Arlequina, que ganhou importância em recente filme chamado Esquadrão Suicida (2017) acaba de se envolver romanticamente, nas revistas-em-quadrinhos, com outra anti-heroína, celebrizada nas antigas séries televisivas do Batman dos anos 60 como vilã, a Hera Venenosa. Juntas, Arlequina e Hera Venenosa são, possivelmente, escala certa para um filme que está em pré-produção nos estúdios da Warner Bros. e que pode ser a melhor oportunidade para termos uma representação LGBTI+ nas telonas. Talvez os próximos filmes dos X-Men possam destacar no cinema, ainda, o que tem ocorrido nos quadrinhos, mostrando o Homem de Gelo vivendo como gay fora do armário e muito feliz.

A TV já se adiantou ao cinema, pois representou corretamente o romance do Capitão Frio e do Raio, na terceira temporada da série Legends of Tomorrow (2016), que passa no Brasil no Warner Channel, colaborando com esse pensamento que defendemos: educar corações e mentes para a diversidade. Esse uso da indústria cultural, em benefício de conteúdos específicos na educação em casa ou na escola, é um lado positivo a ser explorado por pais e mestres dessas obras culturais. Crianças e jovens querem se ver representados por seus heróis (e vilões) na literatura, no cinema e na TV, portanto, construir artefatos culturais que representam bem os nossos jovens LGBTI+ é a próxima fronteira a se fazer representar no mainstream do cinema de super-herói, e temos ótimos personagens para ocuparem esse lugar. Veja nossa pequena lista de personagens selecionados para ilustrar como ainda há espaço para por LGBTI+ até do lado do Superman, do Batman, do Wolverine e do Homem de Ferro. Estamos em todos os lugares, e queremos nossa representação.

Ah! Sabe aquela série de desenhos animados que passava de manhã chamada Super-Choque? E do amigo dele, engraçado, loiro, que era nerd e mexia com tecnologias e se chamava Rick? Então, este também é gay… acho que, na próxima oportunidade, vou escrever sobre os desenhos animados e seus personagens queer, que todos assistimos a vida toda e nem imaginávamos que estávamos presenciando representação LGBTI+ na TV… sim!

Sobre o autor: Pós-doutorado no Technology and Information Policy Institute do Moody College of Communication, University of Texas in Austin (2014); Doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (2010); Professor doutor da Universidade Federal da Grande Dourados; Pesquisa a Formação de Professores, a Indústria Cultural, as Tecnologias da Informação e Comunicação, os Estudos Culturais, mas prefere ser lembrado como NERD de carteirinha, com diploma e tudo!

 

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