08/01/2019 14h23

Como manter a credibilidade com o público no novo cenário da comunicação

Por: Folha de Dourados
 
 

Por Patrícia Marins - Miriam Moura, no Congresso em Foco

Nada será como antes em 2019. E, para o jornalismo, a missão será árdua. Vivemos hoje uma prévia das mudanças na comunicação deste novo cenário que se desenhou durante as últimas eleições. Com o uso maciço das redes sociais na campanha do presidente Jair Bolsonaro, a imprensa perdeu o protagonismo de ser a mediadora do processo informativo e terá que se reinventar para inverter essa nova lógica de que a informação precisa cada vez menos de mediadores tradicionais para circular. É necessário resgatar a credibilidade.

Nessa nova ótica, "políticos, de um lado, apresentam cenários que mais lhes interessam. Do outro, o público recebe uma narrativa que melhor representa o seu modo de pensar. Tudo isso passando ao largo do jornalismo e sua função mediadora". Essa é uma das principais constatações da terceira edição do projeto realizado pelo Farol Jornalismo e pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) que convidou jornalistas e pesquisadores a projetar o novo cenário para a mídia em 2019. O resultado deste estudo está na edição especial "O Jornalismo no Brasil em 2019".

O estudo revela que, com a credibilidade em baixa, o jornalismo terá que mexer no seu "modus operandi". Será necessário aprofundar sua relação com o público, aumentar a transparência e investir mais em diversidade e colaboração. Apesar do futuro revelar um horizonte de grandes desafios mas também de grandes oportunidades é preciso despertar para o novo e construir um "novo contrato de confiança com a sociedade".

O chamado "journalytics" revela a necessidade de olhar com atenção para as informações produzidas pelos usuários – um jeito eficiente de conhecer melhor o público.

2019 será o ano em que vamos ter que refletir sobre o que tem valor e relevância para o planeta, para as empresas e para cada um de nós. Será tempo de fazer uma "dieta digital", uma faxina geral de longo prazo para decidir o queremos para nossas vidas. Essas são as principais tendências previstas para o novo ano, "Trends 2019", da consultoria de design Fjord-Accenture. Focada nas tendências do ano, nossa consultoria de comunicação auxilia a desenvolver valores eficientes para os clientes.

Trata-se de uma visão geral das diretrizes e drivers para os próximos 12 meses. A avaliação é que, após duas décadas de rápido crescimento tecnológico e de inovação, o mundo está hoje num ponto de inflexão tecnológico, político e ambiental. Além da demanda por recursos do planeta, há uma demanda por dois valores preciosos para todos nós: tempo e atenção.

Em 2018, a realidade sintética atingiu níveis de sofisticação, uma evolução dos conceitos de realidade virtual ou ampliada.

P – E então, o que está por vir?

R – A adoção por organizações de um novo "ethos" de design que coloque o valor humano no centro da inovação.

O design consciente é crescente na agenda das empresas de tecnologia. Outras organizações terão de seguir o mesmo caminho, mas para isso precisam aprender novas maneiras de construir relacionamentos e lealdade com consumidores. Novos produtos serão alimentados por inteligência artificial; outros serão guiados para uma mudança para a economia circular e novas normas culturais em torno de dados, identidade e bem-estar.

A consultoria dá quatro grandes linhas de sugestões para o futuro imediato:

• Focar na experiência de fazer a diferença;

• Pensar além de sua marca ou negócio, colaboração para seguir em frente;

• Contar suas histórias;

• Transformar o desperdício em riqueza e a sustentabilidade como medida de valor além do resultado financeiro.

Logo depois da decisão do ministro do STF Marco Aurélio Mello mandar soltar os condenados presos em segunda instância, o procurador da República do Paraná Adriano Barros Fernandes disse que "basta um jipe, um cabo e um soldado para fechar a corte". Em sua conta no Twitter ele completou: "Coitado de você que achava que o plenário era soberano". Ele apagou o post logo depois. No nosso curso de media training, abordamos o cuidado que representantes públicos precisam ter ao postar nas redes sociais.

A frase do procurador é uma referência à declaração feita em outubro por Eduardo Bolsonaro, um dos filhos do presidente eleito Jair Bolsonaro. Em uma palestra, ele disse que bastavam "um cabo e um soldado" para fechar o Supremo.

Ao ser procurado pela Folha, o procurador alegou que estava fazendo uma "brincadeira", negando a intenção de fechar o Tribunal. "Pelo amor de Deus, foi um momento de fazer uma ironia, uma brincadeira", afirmou.

O episódio é mais um exemplo da importância de adoção de boas práticas de uso das redes sociais e da necessidade de avaliar o impacto. No caso da repercussão negativa da declaração do filho Eduardo, Jair Bolsonaro disse que havia repreendido o parlamentar: "Eu já adverti o garoto, o meu filho, a responsabilidade é dele. Ele já se desculpou".

 

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