12/03/2018 06h47

A intervenção no Rio de Janeiro e as fronteiras de Mato Grosso do Sul

Por: Folha de Dourados
 
 
Valdenir Machado Valdenir Machado

(*) Valdenir Machado

Depois do impacto inicial a ampla maioria dos brasileiros aprova a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Afinal, alguma coisa precisava ser feita diante dos alarmantes índices de violência naquela ainda conhecida mundialmente como a cidade maravilhosa, que nos dias atuais convive com um estado paralelo de criminosos comandando as comunidades carentes.

A despeito das suspeitas da oposição de que a intervenção seria uma jogada de marketing do presidente Michel Temer com a provável derrota na votação da reforma da previdência que se desenhava no Congresso Nacional e, assim, o transformaria num "pato manco", condenando seu governo a um fim melancólico, penso que Temer acertou com essa decisão inédita, mas prevista na Constituição Cidadã de 1988.

A rigor, a sociedade brasileira ainda não visualizou sinais de pacificação do Rio, evidentemente pelo fato de que o projeto é recente e ainda em implantação. Além de alçar o Exército Brasileiro no protagonismo de missão muito complexa, o que vimos até agora é a criação do 29º ministério, o da Segurança Pública, e a troca na chefia nacional da Polícia Federal. Mas, ainda é muito pouco.

Dias após o anúncio da intervenção federal, o governador Reinaldo Azambuja chamou a atenção de que a retomada do controle da segurança pública no RJ passa necessariamente por Mato Grosso do Sul, onde 13 municípios fazem divisa com o Paraguai e Bolívia, totalizando uma área de 1,6 mil quilômetros de fronteira seca, onde quadrilhas organizadas não encontram dificuldades para entrar no País e abastecer criminosos com drogas e armas.

Em artigo publicado na Folha de S.Paulo, em meados do mês passado, Reinaldo Azambuja chama a atenção de que "para atacar a raiz do problema" é necessário o fechamento das fronteiras de MS, que estão escancaradas para o narcotráfico. "Coibir a entrada de drogas por nossas fronteiras é muito mais eficaz do que mobilizar as forças de segurança para a apreensão nos centros consumidores", escreveu o governador.

Mato Grosso do Sul gasta R$ 127, 3 milhões por ano com presos pelo tráfico. Em seis anos, de 2012 a 2017, as apreensões de drogas realizadas pela Polícia Militar, Polícia Civil e o Departamento de Operações de Fronteira (DOF) do Estado saltaram de 87 toneladas para 427 toneladas. O governador lembra que o esforço para combater o tráfico impede que os policiais estejam nos municípios para proteger a população e que os altos índices de crimes não resultam só no estrangulamento do sistema carcerário, mas contribuem também para a hipertrofia do sistema judiciário.

"De outro, o número de presos, incluindo sentenciados por tráfico de armas e outros crimes transnacionais, chegou a 7.246, elevando a população carcerária para 16.224 presos, cumprindo pena em um sistema com capacidade para 7.327 condenados. Cerca de 40% dos presos custeados pelo Estado foram sentenciados por crimes federais", revelou Reinaldo na Folha de S.Paulo.

Tenho acompanhado atentamente o debate acerca da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro que, absolutamente, não pode fracassar. A sociedade brasileira exige resposta de seus governantes, já que todos os anos milhares de inocentes morrem nas mãos da bandidagem. Penso que a segurança, a saúde e a educação são deveres prioritários do Estado.

Compartilho com o pensamento daqueles que condicionam o sucesso dessa ação governamental propondo o controle externo, a participação cidadã e transparência, o controle de armas e munições, o aporte de recursos federais, o combate à corrupção policial, a modernização das forças policiais, prioridade ao combate a crimes violentos, a criação de mecanismos de cooperação na segurança pública nos níveis federal, estadual e municipal, a modernização do sistema penitenciário e, finalmente, o fechamento das fronteiras por onde entram no Brasil armas e, principalmente, as drogas produzidas em países sul-americanos.

(*) Professor, advogado, ex-deputado estadual e coordenador do Escritório Regional do Governo de Mato Grosso do Sul

 


Envie seu Comentário

 

Notícias

Política
Esporte
Educação
Dourados
Estado&Região
Economia
Polícia
Geral
Meio Ambiente
Rural
Tecnologia
Brasil&Mundo
Cultura
Curiosidade
Entretenimento
Saúde
Turismo
Religião
Mídia
Ciências

Colunistas

Culturalmente Falando
Cleiton Zóia Münchow
Rebecca Loise
Antenado
Enfoque
Consciência Cósmica
Gastronomia
Informe Vet
Falando de Cinema
Aniversariantes
Salada Mista
Victor Teixeira
Waldir Guerra

+ Canais

Entrevistas
Charges
Vídeos
Eventos

Expediente

Sobre Nós
Anuncie
Trabalhe Conosco
Termos de Uso