12/03/2018 10h06

Desajustados habitantes das imediações do Pantanal

Por: Victor Teixeira
 
 
Victor Teixeira, nasceu em 17 de setembro de 1996 em Dourados, hoje vive em Itaporã. Escreve sobre política e tem seu blog pessoal. Desde a adolescência tem preferência por atividades intelectuais.
Victor Teixeira, nasceu em 17 de setembro de 1996 em Dourados, hoje vive em Itaporã. Escreve sobre política e tem seu blog pessoal. Desde a adolescência tem preferência por atividades intelectuais.

(*) Victor Teixeira

As duas mais importantes cidades de Mato Grosso do Sul serviram de armadilhas a animais inadequados para duradouro convívio com humanos que adentraram partes delas a 31 de janeiro. Já assim sendo para os seres que não detêm a mesma racionalidade do homem exatamente por causa das incongruências entre os padrões comportamentais de cada grupo, as duas urbes apresentaram aos bichos um convite para evitar regressos no fraco preparo de cidadãos comuns e servidores públicos estaduais (a despeito do generoso ritmo de arrecadação de recursos para investimento) atuantes nas operações de resgate deles.

Uma arara canindé, em Campo Grande, e uma onça, em Dourados, caíram em laços da tentativa de acomodar-se num ambiente que a eles pertencia até o avanço da extensão dos aglomerados urbanos e da complexidade das rotinas vividas neles à medida que mais gente lá nascia ou era atraída para residir por predominar nessa forma de organização antropica o acesso às novas maneiras de se obter conhecimento e o aplicar em favor de si e outrem. A cerca elétrica instalada numa casa no Jardim Panamá, na capital, em resposta à leva de indivíduos dispostos a invadir imóveis para tirar proveito de prejuízos a patrimõnios e vidas impediu a ave de seguir em voo mesmo não tendo o trajeto objetivos delituosos. Em cima de um pé de jaca na Vila Rosa, na segunda mais populosa cidade do estado, o felino se encontrava, desorientado na exploração de um território além dos limites das chácaras ao redor, onde mais se preservam as paisagens verdes. Nos trabalhos para resgatar tais seres para seu próprio bem e a segurança dos ocupantes racionais dos territórios invadidos, a imaturidade comportamental e técnica de alguns destes marcaram intensa presença.

Depois de 40 minutos do aprisionamento por um inesperado obstáculo em seu percurso aéreo, o pássaro recuperou a liberdade logo na única condição disponível para tal na manhã daquele dia. Vizinhos do imóvel desligaram-lhe a energia elétrica e com o auxílio de uma escada removeram o ser alado do meio da fiação sentindo-se escalados para a tarefa pela recusa do Corpo de Bombeiros a tomar providências em um tipo de demanda que não lhes cabe (o salvamento de animais silvestres) e dos encarregados do dever, a Polícia Militar Ambiental, com todo o seu efetivo envolvido na tortuosa lida com o mamífero há mais de 230 quilômetros de lá.

Apenas mais tarde, 24 horas depois de ter escalado a jaqueira, a onça cederia aos tranquilizantes mais eficazes diante de seu porte aplicados com dardos pela reforçada equipe da PMA. Tanto perdurou em virtude do anterior insucesso na aplicação de um fármaco trazido de Naviraí, aqui por perto, a espera do quadrúpede para, seja em seu habitat ou num centro de reabilitação, receber água e comida e livrar-se de cidadãos curiosos entre os quais um tentara agredir agentes de polícia incumbidos de barrar aproximações da criatura por incautos ou mal intencionados.

Para quem subestima a quantidade e qualidade necessárias ao aporte de suprimentos à PMA os incidentes mostram ser justa a ela uma atenção comparável à que a Polícia Militar propriamente dita, a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros receberam com os gastos valendo R$ 114 milhões em novas viaturas, instrumentos de trabalho e reformas em edifícios das corporações no âmbito do programa MS Mais Seguro. Por seu papel no equilíbrio das especificidades ambientais de que beneficiamo-nos mesmo economicamente a população animal silvestre sul-matogrossense tem similar dignidade a ser resguardada por supervisores humanos capazes de, a partir da sabedoria quanto a sua quantidade, distribuição geográfica e hábitos, prestar boa assistência com o dinheiro depositado nos cofres públicos por todos os contribuintes e os frutos em espécie de autuações de infratores ecológicos. Esta última fonte de sustância para os afazeres da PMA, aliás, tem sua influência relativamente equiparada à da primeira nos dados expostos pelo Correio do Estado no recente dia 22, três semanas após os resgates de bichos em ambientes urbanos, revelando que no ano passado dispararam em 75% os flagrantes de caça ilegal e foi arrecadada com as multas uma quantia 114% maior.

À maior planície alagável do globo a que se deve grande parte da vocação turística do estado fica anexo um grupo de cidadãos médios e detentores de influência burocrática insuficientemente confiáveis para zelar por ela. Quem tem consciência do valor do compromisso deve esforçar-se para que seus semelhantes o absorvam e empenhar-se para o voto racional, hábil para eleger ao Executivo e Legislativo estaduais gente com capacidades e pretensões avançadas em relação às de muitos membros hodiernos, nas quais possa vir o atendimento a demandas por uma organizada polícia ambiental disponível para garantir o acato aos entendimentos.

(*)Todo texto postado na editoria de OPINIÃO é de total responsabilidade do autor, sem ter nenhum vínculo com a Folha de Dourados e seu conteúdo

 

Envie seu Comentário

 

Notícias

Política
Esporte
Educação
Dourados
Estado&Região
Economia
Polícia
Geral
Meio Ambiente
Rural
Tecnologia
Brasil&Mundo
Cultura
Curiosidade
Entretenimento
Saúde
Turismo
Religião
Mídia
Ciências

Colunistas

Culturalmente Falando
Cleiton Zóia Münchow
Rebecca Loise
Antenado
Enfoque
Consciência Cósmica
Gastronomia
Informe Vet
Falando de Cinema
Aniversariantes
Salada Mista
Victor Teixeira
Waldir Guerra

+ Canais

Entrevistas
Charges
Vídeos
Eventos

Expediente

Sobre Nós
Anuncie
Trabalhe Conosco
Termos de Uso